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Home Governança

Conselho de Administração e o Contexto Geopolítico: Riscos e Oportunidades

Redação por Redação
21/07/2025
em Governança
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“O papel do conselheiro hoje é antecipar cenários globais com coragem e responsabilidade”, afirma Fabiana Monteiro

Jornalista e CEO da Editora Global Partners, Fabiana Monteiro atua há mais de uma década conectando líderes, construindo pontes entre empresas e talentos, e registrando histórias de sucesso corporativo em grandes projetos editoriais. Em entrevista exclusiva, ela reflete sobre como os conselhos de administração estão sendo desafiados – e ao mesmo tempo chamados – a assumir um papel ainda mais estratégico diante das transformações geopolíticas que impactam o mundo dos negócios.

O mundo está cada vez mais instável geopoliticamente. O que muda para os conselhos de administração nesse cenário?
Fabiana Monteiro:
Estamos vivendo uma era em que a geopolítica deixou de ser um tema distante ou restrito à diplomacia. Hoje, conflitos armados, tensões comerciais, barreiras regulatórias e até eventos climáticos extremos têm impacto direto nas empresas. E quem está no conselho precisa entender esse novo tabuleiro global. O papel dos conselhos se expandiu: é preciso olhar além dos números e da conformidade e começar a atuar como guardiões da resiliência e da reputação organizacional.

Quais são os riscos mais críticos que os conselhos precisam monitorar?
Fabiana:
Eu destacaria três grandes frentes: a primeira é a disrupção das cadeias de suprimento globais, algo que vimos de forma clara durante a pandemia e que continua sendo afetado por guerras e sanções econômicas. A segunda é a ameaça cibernética, que cresce em contextos de conflito. E a terceira é o impacto regulatório: governos estão reagindo com novas regras, exigindo posicionamentos ESG mais sólidos e impondo barreiras comerciais. Esses fatores exigem conselheiros preparados para decisões rápidas e éticas.

E as oportunidades? Elas também surgem desse mesmo contexto?
Fabiana:
Sim. Toda crise geopolítica também redistribui poder e reposiciona mercados. O Brasil, por exemplo, tem se destacado em áreas como agronegócio, energia limpa e tecnologia, justamente porque há uma busca global por parceiros mais confiáveis, democráticos e sustentáveis. Conselhos atentos a esses movimentos podem orientar empresas na internacionalização, na realocação estratégica de plantas industriais ou mesmo na atração de investimentos. Geopolítica pode – e deve – ser uma fonte de vantagem competitiva.

Isso exige um novo perfil de conselheiro?
Fabiana:
Sem dúvida. O conselheiro do futuro – ou melhor, do presente – precisa ter visão global, capacidade de analisar cenários complexos e, principalmente, coragem para tomar decisões impopulares quando necessário. É também fundamental que seja uma pessoa conectada à sociedade, com repertório que vá além do boardroom. Liderança, diversidade de pensamento, consciência climática e fluência digital se tornam indispensáveis nesse novo contexto.

Que conselho você daria a quem hoje ocupa ou almeja ocupar uma cadeira em um conselho de administração?
Fabiana:
Meu conselho seria: estude o mundo. Leia sobre geopolítica, ESG, tendências regulatórias, inteligência artificial, cibersegurança… O conselheiro precisa ser um grande aprendiz. E mais: ele não pode ter medo de fazer as perguntas difíceis, de provocar reflexões estratégicas. O conselho não é um lugar para complacência, mas sim para antecipação e construção de futuro.

Tags: Conselho de AdministraçãoEmpresas
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