O agronegócio paulista encerrou o ano de 2025 com um desempenho sólido, registrando um superávit comercial de US$ 23,09 bilhões. De acordo com dados da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), as exportações do setor atingiram US$ 28,82 bilhões, o segundo maior valor da série histórica, enquanto as importações ficaram em US$ 5,73 bilhões.
O resultado demonstra a resiliência do setor, que respondeu por 40,5% de tudo o que o estado de São Paulo enviou ao exterior, mesmo diante das barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos no segundo semestre.
O complexo sucroalcooleiro manteve o protagonismo na pauta exportadora paulista, somando US$ 8,95 bilhões em vendas, com o açúcar representando 93% desse montante. Outros pilares importantes foram o setor de carnes, com US$ 4,43 bilhões, e o segmento de sucos, que faturou US$ 2,98 bilhões — impulsionado quase integralmente pelo suco de laranja.
Os produtos florestais e o complexo soja também figuraram entre os cinco principais grupos, que, somados, concentraram 75,1% das vendas externas do agro estadual. O café, embora em sexta posição, destacou-se pelo forte crescimento de 42,1% em comparação a 2024.
A China consolidou sua posição como o principal parceiro comercial do agronegócio de São Paulo, absorvendo 23,9% das exportações. A União Europeia (14,4%) e os Estados Unidos (12,1%) completam o ranking dos principais destinos.
No entanto, o fluxo para o mercado norte-americano sofreu oscilações severas devido ao “tarifaço” implementado em agosto de 2025, que gerou quedas mensais acentuadas nas exportações para o país, chegando a recuar 54,9% em novembro. Essa retração foi parcialmente mitigada pela diversificação de destinos, com aumento de embarques para o México, Canadá e o bloco europeu.
A perspectiva para 2026 é de recuperação nas relações comerciais com Washington, após o anúncio da isenção tarifária para itens estratégicos, como carne bovina, café e suco de laranja, ocorrido no final de novembro. Para José Alberto Ângelo, pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), o histórico de crescimento consistente nos últimos três anos reforça a confiança em uma retomada acelerada. Carlos Nabil Ghobril, diretor da APTA, reforça que o vigor dos números de 2025 é fundamental para a geração de empregos e o fortalecimento econômico de São Paulo.









