O setor automotivo brasileiro encerrou 2025 com um desempenho agridoce. Embora dezembro tenha registrado o maior volume de vendas mensais em onze anos, com 279,4 mil unidades licenciadas, o acumulado do ano ficou abaixo das expectativas iniciais.
Segundo dados divulgados pela Fenabrave, as vendas de veículos cresceram apenas 2,1% em 2025, totalizando 2,69 milhões de unidades. O índice representa uma forte desaceleração em relação à alta de 14,1% observada em 2024 e frustrou as projeções de entidades como a própria Fenabrave e a Anfavea, que previam altas de 5% e 6,3%, respectivamente.
O principal obstáculo para o setor ao longo do ano foi a manutenção de taxas de juros elevadas, que encareceram o crédito e afastaram o consumidor pessoa física do financiamento.
No entanto, o mercado não sofreu uma retração maior graças a fatores compensatórios, como a resiliência do mercado de trabalho, o aumento da renda média e o apetite das empresas locadoras.
O programa Carro Sustentável, relançado com força em 2025, focou em modelos de entrada para estimular o volume de vendas em um cenário de juros altos. Os descontos no IPI e incentivos diretos foram calibrados para veículos com maior índice de nacionalização e eficiência energética.
Os grandes vencedores foram os modelos que já disputam a liderança de mercado por preço. O Fiat Mobi e o Renault Kwid foram os que mais converteram os descontos em volume de vendas para pessoas físicas. Com os incentivos, esses modelos conseguiram manter valores abaixo da barreira psicológica dos R$ 75 mil em diversas promoções, o que atraiu o consumidor que dependia menos de financiamentos longos.
O destaque positivo ficou para o encerramento do calendário: o crescimento de 17,1% em dezembro frente a novembro consolidou o melhor mês para a indústria desde dezembro de 2014.
No comparativo anual com o mesmo mês de 2024, a alta foi de 8,6%. Apesar do fôlego de última hora, a indústria ainda não conseguiu recuperar o patamar pré-pandemia; o volume total de 2025 permanece cerca de 100 mil unidades abaixo do que foi comercializado em 2019.









