A Petrobras e sua subsidiária de logística, Transpetro, oficializam nesta terça-feira a assinatura de contratos para a construção de 41 novas embarcações em três estados brasileiros. O pacote, que soma um investimento total de R$ 2,8 bilhões, contempla a fabricação de cinco navios gaseiros, 18 barcaças e 18 empurradores. Segundo comunicado divulgado pela companhia nesta segunda-feira, a iniciativa visa reduzir a dependência de afretamentos de terceiros e ampliar a eficiência logística no transporte de gás liquefeito de petróleo (GLP) e outros derivados.
A distribuição das obras será dividida entre diferentes polos navais do país, fortalecendo a indústria local. O Estaleiro Rio Grande, no Rio Grande do Sul, concentrará a maior parte do investimento, sendo responsável pela construção dos cinco navios gaseiros. No Amazonas, o estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia ficará encarregado das 18 barcaças, enquanto a Indústria Naval Catarinense, em Santa Catarina, produzirá os 18 empurradores. A cerimônia de assinatura ocorrerá em Rio Grande (RS) e contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de lideranças do setor energético.
Para a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, o movimento é estratégico para o crescimento da produção nacional nos próximos anos e marca um passo decisivo na retomada da indústria naval brasileira. O presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, reforçou o impacto social da medida, estimando a criação de mais de 9 mil empregos diretos e indiretos, além da mobilização de toda a cadeia produtiva do segmento. No polo gaúcho, os R$ 2,2 bilhões destinados aos novos gaseiros permitirão que a frota da Transpetro suba de seis para 14 unidades, triplicando a capacidade atual de transporte de GLP e derivados.
Além da expansão marítima, o investimento de R$ 620,6 milhões nas demais embarcações sinaliza a entrada estratégica da Transpetro na navegação interior. Ao operar em rios, lagos e canais, a companhia consolida-se como um dos principais players de transporte fluvial de biocombustíveis e derivados de petróleo. Este novo modelo de negócio permitirá a verticalização da operação de bunkering (abastecimento de navios), garantindo frota própria para o atendimento em portos estratégicos como Belém, Santos, Rio de Janeiro, Paranaguá e Rio Grande.
O cronograma de entregas estabelecido prevê resultados a curto e médio prazo. As barcaças devem ter a primeira unidade entregue apenas três meses após o início das obras, enquanto os empurradores têm previsão inicial para dez meses. Já a construção dos navios gaseiros seguirá um ritmo mais complexo: o lançamento da primeira unidade está previsto para ocorrer em até 33 meses após o início dos trabalhos, com entregas subsequentes programadas a cada semestre, garantindo uma renovação gradual e contínua da capacidade logística nacional.









