O Federal Reserve (Fed) ocupa o centro das atenções globais nesta quarta-feira (28), quando o Comitê de Política Monetária (Fomc) anunciará sua decisão sobre as taxas de juros nos Estados Unidos.
O mercado financeiro opera em clima de estabilidade antecipada, com a ferramenta FedWatch, do CME Group, indicando uma probabilidade de 97% de manutenção dos juros no patamar atual, entre 3,5% e 3,75%. Contudo, o cenário é de forte tensão nos bastidores, pressionado por um mercado de trabalho em desaceleração e pelo embate político direto com o presidente Donald Trump, que defende cortes agressivos nas taxas.
Analistas do Bank of America (BofA) descrevem a postura atual do Fed como “firmemente em espera” (firmly on hold). Segundo o banco, a proximidade da taxa de juros com o nível neutro — aquele que nem estimula nem contrai a economia — retira a urgência de novas ações.
O comitê permanece dependente de dados econômicos que, no momento, apresentam sinais contraditórios: enquanto o desemprego subiu para 4,6% em novembro, atingindo o maior nível em quatro anos, o índice de inflação PCE (o preferido do Fed) acumulou alta de 2,8% em 12 meses, ainda acima da meta de 2%.
A divisão interna no Fed é um dos pontos críticos apontados por economistas. De acordo com José Alfaix, da Rio Bravo Investimentos, o comitê está polarizado entre o controle da inflação persistente e o monitoramento de um mercado de trabalho “complicado”, onde as contratações estagnaram, mas as demissões em massa ainda não ocorreram.
Essa falta de consenso deve resultar em uma decisão não unânime, mas favorável à pausa, conforme projeta o Bradesco. A preocupação central é que um corte prematuro possa reacender a inflação, especialmente diante dos efeitos defasados das tarifas comerciais aplicadas por Trump, que podem começar a ser repassadas aos consumidores agora em 2026.
O componente político adiciona uma camada extra de volatilidade. Com o mandato de Jerome Powell na presidência do Fed expirando em maio, cresce a expectativa sobre quem será o sucessor indicado por Trump e o quanto essa nova liderança estará disposta a ceder às pressões por estímulos monetários. Atualmente, o mercado projeta que o início do ciclo de cortes ocorra apenas em junho, com o BofA estimando duas reduções de 0,25 ponto percentual ao longo do ano. Até lá, a autoridade monetária deve priorizar a inércia como estratégia de defesa contra as incertezas fiscais e inflacionárias.









