A gasolina voltou a ser protagonista negativa na inflação brasileira. Em janeiro, o combustível sozinho foi responsável por quase um terço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que registrou alta de 0,33% no mês, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado de 12 meses, a inflação oficial do país subiu de 4,26% para 4,44%.
O grupo Transportes liderou as pressões inflacionárias, com avanço de 0,60% em janeiro, contribuindo com 0,12 ponto percentual para o índice geral. Dentro desse grupo, os combustíveis dispararam 2,14%, puxados principalmente pela gasolina, que encareceu 2,06%. O etanol teve alta ainda mais expressiva, de 3,44%, enquanto o óleo diesel subiu 0,52% e o gás veicular avançou 0,20%.
A escalada nos preços dos combustíveis reflete diretamente o aumento da alíquota do ICMS implementado pelos governos estaduais e do Distrito Federal no início de 2026. As novas alíquotas fixadas foram de R$ 1,57 por litro de gasolina (reajuste de R$ 0,10), R$ 1,17 por litro de diesel (alta de R$ 0,05) e R$ 1,47 por quilo de gás de cozinha (acréscimo de R$ 0,08).
O impacto do tributo estadual anulou a redução de 5,2% no preço da gasolina anunciada pela Petrobras, que entrou em vigor em 27 de janeiro. Com o corte promovido pela estatal, o preço médio nas refinarias caiu R$ 0,14, passando para R$ 2,57 por litro. No entanto, o reajuste do ICMS nas bombas superou amplamente esse alívio.
Além dos combustíveis, o grupo Transportes também sofreu pressão dos reajustes nas tarifas de transporte público. O ônibus urbano registrou aumento de 5,14%, reflexo de reajustes tarifários aplicados em capitais como Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Belo Horizonte. O metrô subiu 1,87% e o táxi, 1,47%.
Para a apuração do IPCA de janeiro, o IBGE comparou os preços coletados entre 30 de dezembro de 2025 e 29 de janeiro de 2026 com aqueles vigentes no período de 29 de novembro a 29 de dezembro de 2025.
A gasolina contribuiu sozinha com 0,10 ponto percentual para a inflação de janeiro, consolidando-se como o principal vilão do índice do mês e evidenciando como decisões tributárias estaduais podem reverberar diretamente no bolso do consumidor e nos indicadores macroeconômicos do país.









