O relatório Grains and Oilseeds Outlook for 2026, do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), projeta crescimento na produção de soja dos EUA para a safra 2026/27. Ao mesmo tempo, o país enfrenta perda estrutural de participação no mercado global de soja, pressionado pela expansão produtiva do Brasil. O documento foi divulgado nesta quinta-feira, 19, durante o Agricultural Outlook Forum 2026.
Brasil colhe safra recorde e amplia pressão sobre os EUA
O Brasil registra uma safra recorde de soja na atual temporada. Segundo o USDA, esse volume fortalece os estoques globais e estende a oferta exportável brasileira até o período da colheita americana. Esse cenário agrava a perda de competitividade dos EUA no mercado internacional.
A pressão se intensificou em 2025. Naquele ano, a guerra comercial iniciada pelo presidente Donald Trump afastou a China das compras de soja americana. O Brasil aproveitou o espaço e exportou 108 milhões de toneladas ao mercado chinês. Os EUA, por sua vez, venderam apenas 10 milhões de toneladas — bem abaixo da média histórica de 25 milhões de toneladas.
Projeções de soja para 2026/27
Para a próxima safra, os EUA projetam produção de 121 milhões de toneladas de soja. As exportações devem alcançar 46,3 milhões de toneladas, com recuperação frente ao ciclo anterior. Ainda assim, o USDA alerta: a participação americana no comércio global de soja segue em queda estrutural.
Agricultores americanos compartilham essa preocupação. Levantamento do Ag Barometer, da Universidade de Purdue em parceria com o CME Group, mostra que as expectativas para exportações agrícolas permanecem positivas no geral. O cenário de soja, no entanto, é mais incerto e preocupa o setor.
Milho: EUA mantêm liderança, mas exportações recuam
Na cultura do milho, os EUA seguem como o maior produtor mundial. A produção da safra 2026/27 está estimada em 400 milhões de toneladas, recuo de 7% frente ao ciclo anterior. A oferta total chega a 455 milhões de toneladas, com estoques iniciais mais elevados, porém abaixo do recorde anterior.
As exportações de milho devem atingir 78,7 milhões de toneladas, volume inferior ao do ano passado. O USDA aponta que a América do Sul avança também nesse segmento, o que reduz o market share americano. O uso total do grão nos EUA é projetado em 408 milhões de toneladas. Desse total, 142 milhões seguem para etanol e 152 milhões para ração animal e uso residual.
Apesar do recuo na produção e nas exportações, o preço médio recebido pelos produtores deve subir levemente, com estimativa de 4,20 dólares por bushel.








