Josh D’Amaro foi oficializado como o novo diretor executivo da Disney nesta quarta-feira, durante a assembleia anual de acionistas da companhia. O executivo assume o controle do gigante do entretenimento em um momento de transformações estruturais, herdando a missão de navegar por um cenário onde a inteligência artificial e a fragmentação do consumo de mídia impõem novos paradigmas econômicos.
A ascensão de D’Amaro ao cargo de CEO foi impulsionada por sua gestão bem-sucedida na divisão de parques temáticos, unidade que representou 57% do lucro de US$ 17,5 bilhões registrado pela empresa no último ano.
O novo líder terá pela frente uma agenda complexa que vai além da operação dos parques. Investidores aguardam definições estratégicas sobre como a Disney enfrentará a concorrência de gigantes da tecnologia e a popularidade de plataformas como YouTube e TikTok.
Além disso, D’Amaro precisará monitorar variáveis macroeconômicas e geopolíticas, como os conflitos no Oriente Médio e a volatilidade nos preços do petróleo, que possuem potencial direto de impactar os negócios de turismo e cruzeiros da companhia. No segmento de conteúdo, o desafio reside na recuperação do fôlego de marcas consolidadas como Marvel e Star Wars, que enfrentam sinais de saturação nas bilheterias, e na gestão de um negócio de televisão tradicional em declínio.
Para mitigar as críticas sobre a promoção de um executivo focado em operações — cenário que remete à breve e conturbada gestão de Bob Chapek —, o conselho da Disney estabeleceu uma dobradinha estratégica. D’Amaro atuará em parceria direta com a veterana Dana Walden, promovida a presidente e diretora de conteúdo. A análise do mercado, segundo a consultoria TD Cowen, é de que a experiência criativa de Walden será o contraponto necessário às competências operacionais de D’Amaro. O sucesso dessa transição dependerá fundamentalmente da solidez dessa aliança para equilibrar a eficiência financeira com a excelência narrativa que define a marca.
A saída de Bob Iger, prevista para o final deste ano, encerra um ciclo de estabilização. Ao retornar em 2022, Iger encontrou uma empresa com ações em queda e prejuízos no streaming. Em sua gestão recente, ele reorganizou a estrutura corporativa, devolveu autonomia aos núcleos criativos, levou o serviço de streaming à lucratividade e selou parcerias tecnológicas importantes, como o acordo com a OpenAI. Contudo, o desempenho financeiro da Disney ainda busca recuperação total: o retorno sobre o capital investido foi de 11% no período, abaixo dos 77% registrados pelo índice S&P 500, e a empresa é negociada atualmente com um múltiplo de avaliação inferior à sua média histórica.
O mercado agora observa quais serão os primeiros movimentos de D’Amaro para imprimir sua marca pessoal, assim como Iger fez em 2005 ao pacificar relações com acionistas ativistas e adquirir a Pixar. A expectativa é que o novo CEO apresente, nos próximos meses, um plano detalhado de investimentos que justifique o aporte de US$ 60 bilhões previstos para a expansão de parques e cruzeiros, ao mesmo tempo em que redefine o papel da Disney em uma indústria de mídia cada vez mais digital e automatizada.









