Oferta cresce e mercado sai de período de escassez
O mercado global de cacau entrou em 2026 em um novo ciclo, marcado pela transição de um cenário de déficit para superávit na oferta. A mudança ocorre após um período recente de forte escassez, que elevou os preços da commodity a níveis recordes entre 2024 e 2025.
A produção mundial reagiu, impulsionada por melhores condições climáticas em regiões produtoras como África e América do Sul. Esse avanço permitiu a recomposição dos estoques e o retorno ao equilíbrio entre oferta e demanda no mercado internacional.
Com isso, o volume global passou a superar o consumo industrial, consolidando o superávit após anos consecutivos de déficit. Esse movimento indica uma fase de normalização dos fundamentos do setor, ainda que com incertezas no curto prazo.
Ajuste ocorre pela queda da demanda e mantém volatilidade
Apesar da melhora na oferta, o principal fator de ajuste no mercado foi a retração da demanda. O consumo global caiu diante dos preços elevados registrados nos últimos anos, levando à redução da moagem — indicador-chave da atividade industrial do setor.
Na Europa, um dos principais centros consumidores, a moagem recuou de forma significativa, atingindo níveis historicamente baixos. Esse comportamento reflete um processo de adaptação da indústria, que passou a reduzir o uso de cacau ou reformular produtos para conter custos.
Com a combinação de maior oferta e demanda enfraquecida, os preços passaram por forte correção após os picos históricos. Ainda assim, o mercado segue volátil, influenciado por fatores estruturais e riscos climáticos.
A concentração da produção em países da África Ocidental mantém o setor exposto a eventos como secas, doenças nas lavouras e oscilações climáticas. Esses fatores continuam sendo determinantes para o comportamento dos preços e da oferta global.
No Brasil, o cenário acompanha essa dinâmica global, com aumento da oferta interna e retração da demanda industrial, pressionando os preços domésticos.
Mesmo com o retorno ao superávit, especialistas avaliam que o mercado de cacau deve seguir sensível a oscilações ao longo de 2026, com preços ainda acima da média histórica e dependentes da evolução da demanda e das condições climáticas nas principais regiões produtoras.









