Confinamento mantém ritmo apesar de custos e incertezas
A intenção de confinar gado segue firme no Brasil mesmo diante de custos elevados e dúvidas sobre a demanda. O movimento ocorre após um primeiro trimestre com valorização da arroba do boi gordo.
A retenção de fêmeas reduziu a oferta de animais e sustentou os preços no início do ano. Com isso, produtores mantêm o interesse no confinamento, mesmo com margens mais apertadas.
Em fevereiro, a taxa de ocupação dos confinamentos ficou em 52,6 por cento, dentro da normalidade para o período. Ao mesmo tempo, o ritmo de entrada de animais aumentou, indicando maior oferta nos próximos meses.
Custo do boi magro pressiona operação
O principal desafio está no custo de reposição. O boi magro registrou forte valorização e chegou a custar entre 10 por cento e 20 por cento acima do boi gordo em alguns momentos.
Com isso, grande parte do investimento do confinador fica concentrada na compra do animal. Esse cenário reduz a margem e exige maior eficiência na gestão da operação.
A tendência é de continuidade da alta nos preços do bezerro, o que deve manter pressão sobre os custos ao longo do ano.
Alívio na alimentação ajuda decisão
Apesar dos custos elevados com reposição, a queda nos preços do milho e da soja melhora a viabilidade do confinamento. Boas safras contribuíram para reduzir os gastos com alimentação.
No Centro Oeste, os custos alimentares recuaram mais de 14 por cento na comparação anual, o que favorece a atividade.
Demanda externa gera incerteza
O comportamento das exportações, especialmente para a China, segue como ponto de atenção. O avanço no uso das cotas de importação levanta dúvidas sobre o ritmo das compras ao longo do ano.
Caso a demanda externa desacelere, o mercado interno pode absorver maior volume de carne, o que tende a limitar a alta dos preços.
Mesmo com incertezas, a avaliação predominante é de estabilidade nas cotações, com possibilidade de altas mais moderadas nos próximos meses.









