A mediana das projeções para a inflação de 2026 voltou a subir no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (4) pelo Banco Central. A estimativa para o IPCA passou de 4,86% para 4,89%, acumulando a oitava alta consecutiva. Em quatro semanas, o índice acumula uma elevação de 0,53 ponto percentual, saindo de 4,36%.
Para os anos seguintes, o comportamento foi misto. A projeção para 2027 permaneceu estável em 4,00% pela primeira semana, enquanto a estimativa para 2028 avançou para 3,64%, na segunda alta consecutiva. Para 2029, o mercado manteve a projeção em 3,50%, patamar que se sustenta há 35 semanas sem alteração.
No IGP-M, as revisões também foram majoritariamente para cima. A projeção para 2026 chegou a 5,50%, acumulando a nona alta consecutiva. Para 2027, a estimativa se manteve em 4,00% pelo 11º semana seguida. Em 2028, houve leve avanço para 3,83%, ao passo que a estimativa para 2029 ficou estável em 3,70% pela terceira semana consecutiva. Nos preços administrados, as projeções seguiram praticamente inalteradas, com destaque para a estabilidade das estimativas de 2028 e 2029 em 3,50% há 23 e 42 semanas, respectivamente.
No campo do crescimento econômico, o mercado manteve a projeção do PIB para 2026 em 1,85%. Para 2027, no entanto, houve recuo para 1,75% — a primeira queda após um período de estabilidade em 1,80%. As estimativas para 2028 e 2029 seguiram ancoradas em 2,00%, marcas que se sustentam há 112 e 59 semanas, respectivamente, sinalizando relativa confiança do mercado no potencial de crescimento de médio prazo.
No mercado de câmbio, a projeção para o dólar em 2026 ficou em R$ 5,25, estabilizando-se pela primeira vez após sucessivas quedas frente às estimativas de um mês atrás. Para os anos seguintes, as revisões foram de baixa: a expectativa para 2027 recuou para R$ 5,30, a de 2028 foi ajustada para R$ 5,39 e a de 2029 caiu para R$ 5,40, acumulando três semanas consecutivas de recuo.
Na política monetária, a taxa Selic projetada para 2026 foi mantida em 13,00% ao ano pela segunda semana consecutiva, enquanto a estimativa para 2027 seguiu estável em 11,00%. Para 2028, a projeção permaneceu em 10,00% pela 15ª semana seguida. Já para 2029, houve leve alta, com a taxa chegando também a 10,00% — sinal de que o mercado passou a enxergar juros em dois dígitos no longo prazo.
O conjunto dos dados do Focus desta semana reforça um cenário de maior persistência inflacionária e de cautela do mercado quanto ao ritmo de afrouxamento monetário. A combinação de projeções de IPCA acima da meta e de Selic elevada por mais tempo sugere que os agentes econômicos seguem céticos sobre a convergência da inflação ao centro da meta nos próximos anos.








