O Frigorífico Concepción tenta vender ativos no Brasil e no Paraguai para enfrentar uma crise de liquidez. A empresa paraguaia, que também opera na Bolívia e no mercado brasileiro, viu seus títulos despencarem a níveis considerados de alto risco enquanto precisa honrar pagamentos de dívida nos próximos meses.
Os papéis de US$ 300 milhões com vencimento em 2028 são negociados a 19 centavos de dólar, segundo dados da Trace citados pela Bloomberg. Em setembro, estavam em 75 centavos.
A pressão vem do curto prazo. A Concepción deve cerca de US$ 65 milhões em pagamentos de dívida entre junho e julho, incluindo cupom de títulos e US$ 16,8 milhões em uma linha de crédito do Bank of America. No fim do ano passado, a companhia tinha US$ 16,7 milhões em caixa em dólares.
Concepción busca caixa com venda de ativos no Brasil e no Paraguai
Para tentar recompor liquidez, a companhia promete vender ativos e renegociar dívidas. Gabriel Cordova, diretor financeiro da Concepción, afirmou que a empresa está comprometida em cumprir suas obrigações financeiras.
“Gostaríamos de fazer uma recompra para mostrar o apoio da empresa aos detentores de títulos e reconquistar a confiança do mercado”, disse Cordova.
Segundo o executivo, uma eventual recompra de dívida teria valor mínimo de US$ 10 milhões. A empresa também pretende negociar com o Bank of America a linha de crédito em aberto.
Dívida cresceu após expansão financiada por crédito
A Concepción expandiu rapidamente na última década, com construção, compra e arrendamento de unidades de abate. A estratégia levou a receita anual ao pico de quase US$ 2,2 bilhões em 2025, mas também aumentou o endividamento.
No fim de dezembro, a dívida somava US$ 836,3 milhões.
“Crescemos mais do que deveríamos”, afirmou Renan De Lima, diretor da empresa e integrante da família controladora.
Empresa fechou cinco matadouros no Brasil
Com a piora financeira, a Concepción fechou cinco de seus nove matadouros no Brasil no ano passado.
Agora, busca compradores para operações de criação e processamento de suínos no Brasil e no Paraguai. Entre os ativos está o matadouro Incka Foods, no Paraguai, previsto para abrir neste mês.
A companhia precisa levantar US$ 59 milhões até o fim do ano para cumprir pagamentos ligados à linha de crédito.









