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Trabalhadores da Samsung iniciam paralisação na Coreia do Sul nesta quinta

João Pedro Camargo Corenciuc por João Pedro Camargo Corenciuc
20/05/2026
em Empresas
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Cerca de 48 mil trabalhadores da Samsung Electronics devem cruzar os braços nesta quinta-feira após o fracasso das negociações sobre o pagamento de bônus, em uma paralisação que ameaça a economia da Coreia do Sul e pode afetar o fornecimento global de chips de memória. As negociações foram, no entanto, retomadas na tarde de quarta-feira com a mediação do Ministro do Trabalho sul-coreano, Kim Young-hoon, mantendo viva a esperança de um acordo de última hora.

O líder sindical Choi Seung-ho afirmou que o sindicato havia aceitado uma proposta apresentada pelo chefe da Comissão Nacional de Relações Trabalhistas, mas que a greve de 18 dias seguiria em frente porque a administração da Samsung não chegou a um entendimento sobre outro ponto de atrito. “Gostaria de pedir desculpas ao público por não ter conseguido chegar a um bom resultado, apesar de ter feito o maior número possível de concessões”, disse o dirigente, contendo as lágrimas. “Não cessaremos nossos esforços para chegar a um acordo, mesmo durante a greve.”

A Samsung, por sua vez, rejeitou as acusações e atribuiu o impasse às exigências do sindicato. Em comunicado, a empresa afirmou que os trabalhadores insistiram em demandas “inaceitáveis”, incluindo a forma de cálculo dos bônus para unidades deficitárias. “A razão pela qual não foi possível chegar a um acordo é que aceitar as exigências excessivas do sindicato prejudicará os princípios fundamentais da administração da empresa”, disse a companhia. Alguns investidores disseram estar mais preocupados com o risco de aumento permanente nos custos trabalhistas do que com os impactos pontuais da paralisação.

No centro do conflito está a insatisfação dos funcionários com a disparidade salarial em relação à rival SK Hynix. A empresa assumiu a liderança no fornecimento de chips de memória de alta largura de banda para processadores de inteligência artificial da Nvidia, e seus funcionários receberam, no ano passado, bônus mais de três vezes maiores do que os da Samsung, segundo o sindicato. O resultado foi um êxodo de trabalhadores da Samsung para a concorrente e um aumento expressivo nas filiações sindicais. Os 48 mil funcionários que planejam fazer greve representam 38% da força de trabalho doméstica da Samsung.

Entre as exigências do sindicato estão o fim do limite máximo de bônus — atualmente fixado em 50% dos salários anuais —, a alocação de 15% do lucro operacional anual para pagamento de bônus e a formalização dessas mudanças de forma permanente, e não apenas para um ano. Os dois lados divergem principalmente sobre como os bônus de desempenho devem ser distribuídos entre os altamente lucrativos negócios de chips de memória da Samsung e as divisões de chips lógicos, que operam no vermelho.

A gravidade do impasse levou o governo sul-coreano a considerar uma intervenção direta. O presidente Lee Jae Myung criticou o sindicato, afirmando que a entidade estava “passando dos limites” ao reivindicar parcela do lucro operacional antes mesmo do pagamento de impostos. O governo alertou no fim de semana que poderia ordenar uma arbitragem de emergência — mecanismo raramente utilizado que colocaria a greve em espera por 30 dias enquanto o governo medeia as negociações. A Samsung responde por quase um quarto das exportações totais da Coreia do Sul e é a maior fabricante de chips de memória do mundo, o que torna a paralisação uma ameaça não apenas à empresa, mas à economia do país como um todo.

Tags: Coreia do SulEmpresasParalisaçãoTrabalhadores
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