O Banco Popular da China (PBoC) anunciou nesta quarta-feira (17) um pacote de medidas estruturais voltado a expandir o uso global do yuan e robustecer a infraestrutura financeira da segunda maior economia do mundo. As iniciativas, apresentadas pelo presidente da autoridade monetária, Pan Gongsheng, durante discurso a executivos financeiros em Xangai, buscam blindar o mercado doméstico contra choques geopolíticos e volatilidades externas, além de modernizar os instrumentos de governança do banco central.
O plano apoia-se em dois grandes pilares de internacionalização e flexibilização de liquidez. O PBoC instituirá um canal financeiro inédito para que autoridades monetárias estrangeiras, bancos centrais e fundos soberanos captem liquidez imediata em yuans diretamente junto ao banco central chinês. Como lastro para as operações de crédito, as instituições internacionais deverão apresentar títulos soberanos como garantia.
Será implementado um programa piloto para a negociação de câmbio de yuan offshore dentro do perímetro da Zona de Livre Comércio de Xangai. O objetivo estratégico de Pequim é transformar a metrópole em um centro de referência global para a alocação de ativos e gerenciamento de matrizes de risco denominados na moeda chinesa.
Para além das fronteiras, Pan Gongsheng sinalizou mudanças profundas na condução da política monetária interna. O chefe do PBoC indicou que o órgão trabalha para aprimorar os mecanismos de regulação das taxas de juros de curto prazo. Analistas de mercado interpretaram a sinalização como um indicativo claro de que a China planeja adotar a taxa overnight (interbancária de um dia) como seu principal referencial de política monetária, convergindo com o modelo operacional utilizado pelo Federal Reserve (EUA) e pelo Banco Central Europeu. Atualmente, o termômetro oficial do PBoC é a taxa de recompra reversa de sete dias.
Em outra frente de contenção de danos para o sistema financeiro, o banco central informou estar desenhando ferramentas regulatórias e fundos específicos para fornecer liquidez de emergência a instituições financeiras não bancárias — como seguradoras, fundos de pensão e shadow banking (bancos sombra) — durante eventuais crises de crédito e liquidez no mercado local.
Apesar do anúncio de novos mecanismos de suporte e injeção de liquidez, o pronunciamento de Pan Gongsheng não trouxe pistas sobre um afrouxamento iminente na taxa básica de juros chinesa. A postura rigidamente neutra da autoridade monetária chamou a atenção dos investidores por ocorrer um dia após a divulgação de dados macroeconômicos sensíveis sobre a atividade interna.
Os relatórios oficiais divulgados na véspera apontaram para a perda de tração na atividade comercial da China. Em maio, o país registrou a primeira queda real nos gastos do consumidor em mais de três anos, evidenciando o enfraquecimento do comércio varejista e uma nova rodada de contração nos investimentos privados e despesas com bens duráveis por parte das famílias chinesas, que seguem operando sob o fantasma da crise imobiliária e da baixa confiança na retomada econômica.









