A alta da inadimplência no agronegócio está tornando o crédito rural mais restrito às vésperas do lançamento do Plano Safra 2026/27. Especialistas afirmam que o aumento do risco levou instituições financeiras a endurecer os critérios para concessão de financiamentos, em um momento de forte demanda por recursos no campo.
Segundo executivos da consultoria L&K Consulting ouvidos pela CNN Brasil, o Plano Safra continua sendo um dos principais instrumentos de financiamento da produção agrícola, mas sua participação relativa vem diminuindo diante da expansão de outras fontes de crédito, como bancos privados, cooperativas e o mercado de capitais.
Crédito fica mais seletivo
O aumento da inadimplência mudou o comportamento das instituições financeiras. Carteiras que historicamente registravam cerca de 3% de atrasos superiores a 90 dias passaram, em alguns casos, a se aproximar de 15%, elevando a percepção de risco.
Com esse cenário, bancos passaram a exigir mais garantias e adotar critérios mais rigorosos na análise de crédito. Especialistas avaliam que os produtores médios tendem a enfrentar as maiores dificuldades para acessar financiamentos, enquanto grandes produtores continuam contando com maior capacidade de oferecer garantias e pequenos agricultores mantêm acesso às linhas específicas do Plano Safra.
Mercado de capitais ganha espaço
A restrição no crédito rural impulsiona alternativas de financiamento, como os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e as Cédulas de Produto Rural (CPRs). Cooperativas de crédito também ampliaram sua participação no financiamento do setor nos últimos anos.
Na avaliação dos especialistas, a diversificação das fontes de recursos tornou-se essencial para atender à crescente demanda do agronegócio, reduzindo a dependência exclusiva dos recursos públicos do Plano Safra.
Endividamento desafia o setor
Entre os fatores que pressionam a inadimplência estão a volatilidade dos preços das commodities, o aumento dos custos de produção, especialmente de fertilizantes, os impactos climáticos e o elevado endividamento acumulado nos últimos ciclos agrícolas.
Especialistas avaliam que a normalização do mercado de crédito rural pode levar vários anos e dependerá da recuperação das margens dos produtores, da redução dos custos de produção e de condições climáticas mais favoráveis. Até lá, a tendência é que o acesso ao crédito continue mais criterioso, mesmo com o lançamento do novo Plano Safra.








