A startup de inteligência artificial Anthropic anunciou oficialmente o encerramento de um dos impasses mais complexos envolvendo a regulação de segurança e o setor de tecnologia norte-americano. O Departamento de Comércio dos Estados Unidos retirou as restrições de exportação que pesavam sobre seus modelos de última geração, o Claude Fable 5 e o Claude Mythos 5. A resolução pacifica a disputa entre a companhia e a administração do presidente Donald Trump, que vinha monitorando de perto o potencial das ferramentas.
Por meio de uma nota oficial publicada na rede social X, a Anthropic celebrou a liberação das licenças e o fim do bloqueio internacional: “Somos gratos aos nossos usuários pela paciência e a todos que trabalharam conosco para restabelecer os modelos”. Com o aval regulatório, a empresa confirmou o início da restauração integral do acesso aos sistemas a partir desta quarta-feira (1º de julho), encerrando um hiato operacional que se estendeu por duas semanas e meia.
O congelamento das plataformas ocorreu no início do mês de junho, após a Anthropic acatar de forma voluntária uma diretriz de conformidade legal emitida por órgãos de inteligência de Washington baseada em salvaguardas de “segurança nacional”. A severidade da ordem executiva impôs barreiras severas ao ecossistema de desenvolvimento da startup
A determinação governamental barrava a utilização dos modelos por qualquer cidadão de nacionalidade estrangeira — independentemente de estar dentro ou fora do território norte-americano —, incluindo no veto os próprios engenheiros e funcionários internacionais que compõem os quadros técnicos da Anthropic.
O processo de flexibilização foi iniciado na última sexta-feira (26), quando a Casa Branca emitiu uma permissão especial para que um grupo restrito de agências e empresas domésticas de segurança cibernética testasse o Claude Mythos 5, mantendo o bloqueio a estrangeiros até a ampla liberação concedida nesta terça-feira.
Em manifestação pública, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, detalhou o racional técnico que motivou o acordo e a consequente liberação das licenças de exportação de software. O entendimento central exige que a Anthropic implemente correções estruturais imediatas nas barreiras de código do Claude Fable 5 (a versão comercial e pública do modelo Mythos 5).
A intervenção ocorreu após pesquisadores de segurança da Amazon — principal parceira e investidora da startup — identificarem brechas que permitiam contornar os filtros éticos da IA, abrindo margem para a orquestração e execução de ataques cibernéticos automatizados de alta complexidade.
O fortalecimento destas defesas digitais era considerado um pré-requisito inegociável pelo Pentágono e pelo Departamento de Comércio para autorizar a distribuição comercial global da tecnologia. “Nas últimas duas semanas, trabalhamos em estreita colaboração com a Anthropic para analisar e aprovar o Fable 5, a fim de garantir alinhamento em todo o governo dos EUA e fortalecer a liderança americana em IA”, justificou Lutnick ao chancelar o fim das sanções de mercado.







