De acordo com o mais recente Allianz Global Insurance Report 2026, relatório publicado pela equipe de economistas da Allianz Research, divisão de pesquisa macroeconômica da Allianz Trade, líder mundial em seguro de crédito, o mercado global de seguros registrou crescimento de +7,1% em 2025, com prêmios brutos totais de EUR 6,9 trilhões, acréscimo de EUR 456 bilhões ao pool global de prêmios.
O resultado, embora represente moderação frente a +9,4% registrado em 2024, permanece acima da CAGR de +5,6% da última década. Entre os segmentos, o seguro de vida continuou sendo o maior (EUR 2,86 trilhões), seguido por P&C (EUR 2,32 trilhões) e saúde (EUR 1,69 trilhões).
Os autores analisam que a expansão da última década foi significativa: entre 2015 e 2025, os prêmios globais avançaram de EUR 3,97 trilhões para EUR 6,87 trilhões, adição cumulativa superior a EUR 2,9 trilhões. Para os próximos dez anos, a Allianz Research projeta crescimento anual de +5,3% até 2036, com a expansão total do pool estimada em EUR 5,26 trilhões adicionais.
A Ásia (excluindo China e Japão) manteve posição de destaque como mercado de maior crescimento estrutural, com expansão de +10,9% em 2025, frente à média histórica de +4,9%. A Europa Ocidental cresceu quase o dobro de sua média dos últimos dez anos (+6,1%), enquanto a China desacelerou para +7,4%, mais de 3 pontos percentuais abaixo de sua trajetória histórica.
Já a América do Norte elevou sua participação nos prêmios globais de 42,5% para 46,4% na última década, o que significa que quase metade de cada euro subscrito no mundo tem origem na região. A China consolidou-se como segunda maior economia de seguros (EUR 746 bilhões em prêmios em 2025), mas ainda é menos de um quarto do mercado norte-americano (EUR 3,19 trilhões). Com olhar para 2036, a Índia emerge como o mercado de maior crescimento projetado: +10,5% ao ano, com a penetração de seguros em 2025 chegando a apenas 3,8% do PIB e gasto per capita de cerca de EUR 85.
O seguro saúde consolidou-se como o segmento de maior crescimento da indústria em 2025, com alta de +12,3% — ritmo mais acelerado desde 2014 —, impulsionado principalmente pela América do Norte, onde a inflação médica pressionou o crescimento para +14,9%. A projeção para a próxima década é de expansão de +6,7% ao ano, a mais elevada entre os três segmentos. O seguro de vida cresceu +6,9% em 2025, sustentado por taxas de juros mais altas, com perspectiva de CAGR de +4,9% até 2036. Já o segmento de P&C registrou desaceleração para +3,8%, refletindo a maturação do ciclo de precificação, com expansão projetada de +4,7% ao ano na próxima década.
O relatório destaca que a fragmentação geopolítica deixou de ser um risco cíclico para se tornar um fator estrutural de reconfiguração do setor. O conflito no Irã opera como choque externo de oferta, perturbando mercados de energia, elevando custos de transporte e fragmentando cadeias de suprimento. O cenário-base da Allianz Research projeta crescimento do PIB global de +2,6% em 2026, com a Zona do Euro reduzindo seu ritmo para apenas +0,8%.
Para as seguradoras, a fragmentação impõe desafios diretos ao modelo de diversificação global de riscos: capital menos móvel, regimes regulatórios divergentes e fronteiras que funcionam crescentemente como barreiras estratégicas. Ao mesmo tempo, o estudo aponta que essa dinâmica cria novas demandas — em seguro de risco político, crédito comercial, cyber e interrupção de cadeias produtivas —, reforçando a relevância estratégica do setor em um ambiente de maior incerteza.
As perdas seguradas por catástrofes naturais crescem entre +5% e +7% ao ano em termos reais — ritmo que torna o risco climático uma questão estrutural de subscrição, e não mais um evento cíclico. O relatório aponta que o aumento dos prêmios está colidindo com a redução do poder de compra das famílias, ampliando as lacunas de proteção. Na União Europeia, as perdas diretas por desastres não cobertas por seguros somaram em média EUR 59 bilhões anuais entre 2021 e 2023.
O caminho para preservar a “segurabilidade” de longo prazo, segundo o estudo, passa por parcerias público-privadas, incentivos à adaptação climática, mecanismos de acessibilidade direcionados e investimentos em infraestrutura resiliente — e não pela supressão artificial de prêmios, que enfraquece os incentivos à redução de riscos.









