A EVMOB planeja ampliar sua frota de cerca de 2 mil para até 15 mil veículos elétricos até 2031, movimento que pode multiplicar por 7,5 vezes o número de ativos da companhia. Apoiada pelo Patria Investimentos, a empresa atua na locação de veículos comerciais para grandes empresas e pretende crescer no Brasil e em outros mercados da América Latina.
A meta considera uma faixa entre 10 mil e 15 mil unidades em operação nos próximos cinco anos. Além do Brasil e do Chile, onde já mantém atividades, a EVMOB avalia entrar em países como Argentina, Colômbia e Peru. O México também aparece no radar para uma etapa posterior da expansão.
O modelo de negócio combina capital próprio com contratos de aluguel de longo prazo e tarifa fixa. A empresa fornece o veículo, adapta o implemento para cada operação, projeta a infraestrutura de recarga e instala os carregadores nas bases dos clientes.
Grandes companhias com compromissos de descarbonização formam o principal público da EVMOB. A tese, porém, não depende apenas das metas ambientais. Para o CEO Lucas Zanon, a escala da eletrificação será determinada pela capacidade de reduzir custos operacionais.
“A escala precisa não só da decisão pela transição, mas também do aspecto econômico associado”, afirmou o executivo.
Veículos elétricos ainda têm participação pequena no Brasil
O mercado brasileiro oferece espaço para crescimento porque a eletrificação dos veículos comerciais permanece em estágio inicial. No segmento de caminhões leves e veículos urbanos de carga, conhecidos como VUCs, o país registra aproximadamente 90 mil emplacamentos por ano.
Os modelos elétricos representam entre 1,5% e 2% dessas vendas. A participação é consideravelmente inferior à observada em outros mercados, chegando a aproximadamente 10% na Europa e 50% na China.
Distribuição urbana, comércio eletrônico e abastecimento de lojas estão entre as operações que mais favorecem a adoção. Veículos que percorrem trajetos previsíveis e retornam regularmente à mesma base facilitam o planejamento da autonomia e da recarga.
Rotas entre o Porto de Santos e a Grande São Paulo também apresentam condições favoráveis. Outra oportunidade está em operações fora das vias públicas, como o transporte realizado dentro de usinas, fábricas e propriedades do setor sucroalcooleiro.
Economia pode chegar a 25% em rotas urbanas
Contratos com utilização intensa dos veículos apresentam os melhores resultados financeiros. Em operações de distribuição urbana que percorrem cerca de 4 mil quilômetros por mês, a EVMOB calcula uma redução de 20% a 25% no custo total.
A vantagem tende a aumentar quando a quilometragem mensal se aproxima de 20 mil quilômetros. Combustível, manutenção e previsibilidade operacional ajudam a compensar o preço mais elevado do veículo e da infraestrutura de recarga.
Frotas que percorrem distâncias pequenas, por outro lado, podem não gerar economia suficiente para justificar a troca. Esse cálculo faz com que a análise da rota, da carga transportada e do tempo disponível para recarga seja uma etapa necessária antes da contratação.
Segundo Zanon, cerca de 80% dos clientes que iniciaram projetos-piloto com 10 a 20 veículos já discutem uma segunda ou terceira fase de expansão. O avanço ocorre depois da comprovação dos resultados econômicos nas operações reais.
Modelo inclui veículos, carregadores e consultoria
Um dos obstáculos à eletrificação está na necessidade de coordenar diferentes fornecedores. A empresa interessada precisa escolher o veículo, adaptar a carroceria, instalar carregadores e dimensionar a demanda de energia elétrica.
A EVMOB reúne essas etapas em um único contrato. A solução inclui desde a escolha do modelo mais adequado até a implantação da estrutura necessária nas instalações do cliente.
Essa atuação também busca contornar a baixa disponibilidade de eletropostos públicos. Como a rede brasileira ainda não atende de forma ampla o transporte comercial, as empresas precisam instalar pontos dedicados e planejar rotas que permitam o retorno dos veículos à base.
O portfólio da locadora inclui veículos de fabricantes como Volvo, Renault, Foton e BYD. A companhia afirma não manter exclusividade com uma única montadora, o que permite selecionar modelos conforme a capacidade de carga, autonomia e aplicação.
As opções vão de pequenos veículos urbanos até carretas com capacidade para operações de 120 toneladas.









