Os preços internacionais do petróleo registraram uma desaceleração ao longo da sessão desta terça-feira (14), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuar de sua proposta inicial e anunciar uma revisão na controversa cobrança da taxa de 20% sobre as embarcações que trafegam pelo Estreito de Ormuz. Embora a Casa Branca mantenha o bloqueio naval à navegação do Irã, o pedágio financeiro sobre outras nações foi flexibilizado em favor de acordos bilaterais de comércio e investimento, aliviando parcialmente o temor de um encarecimento logístico generalizado no gargalo marítimo.
Apesar de amenizarem os picos intradiários, os contratos futuros da commodity operavam em terreno firmemente positivo. O barril do petróleo Brent subia 1,98%, cotado a US$ 84,95, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançava 1,79%, negociado a US$ 79,52.
Mais cedo, a apreensão nos mercados havia empurrado o Brent e o WTI para suas maiores marcas em cerca de um mês, refletindo o colapso do memorando de entendimento de cessar-fogo assinado entre Washington e Teerã em 17 de junho. Analistas apontam que a rápida quebra do pacto e a escalada de hostilidades forçam os agentes a precificar um prêmio de risco mais prolongado nas cotações.
A tensão física no Estreito de Ormuz, por onde escoa um quinto do suprimento global de energia, agravou-se com relatos de ataques reais a navios mercantes. O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos confirmou que dois de seus petroleiros foram atingidos por mísseis de cruzeiro disparados por forças iranianas, resultando na morte de um tripulante de nacionalidade indiana e deixando outros oito feridos. Diante da ameaça direta à navegação, o fluxo de navios cargueiros pelo canal despencou para o menor patamar dos últimos dois meses.
O ambiente de instabilidade no Oriente Médio ganhou novos contornos de complexidade geopolítica regional. O movimento Houthi, do Iêmen, efetuou lançamentos de mísseis contra a vizinha Arábia Saudita em represália a um suposto bombardeio saudita contra um aeroporto sob controle do grupo.
Enquanto isso, o Citi alertou em relatório que o regime iraniano pode abandonar formalmente as negociações diplomáticas até a conclusão das eleições parlamentares de meio de mandato nos Estados Unidos, o que manteria o petróleo sob pressão de alta. Apesar do cenário adverso e do fim das isenções de sanções americanas, o ministro do Petróleo do Irã, Mohsen Paknejad, declarou que as exportações de petróleo do país seguem operando normalmente.









