O Ministério da Fazenda divulgou, nesta terça-feira (14), a mais recente edição do relatório Prisma Fiscal, revelando uma melhora nas projeções dos economistas do mercado financeiro para as contas públicas do Brasil em 2026 e 2027. Em um cenário macroeconômico desafiador e sob a pressão da alta taxa de juros e da volatilidade internacional, a mediana das expectativas para o déficit primário do governo central apresentou recuos pontuais, embora o endividamento bruto do país siga em trajetória de forte elevação.
Alívio no Déficit, mas Longe da Meta
De acordo com os dados coletados pela Secretaria de Política Econômica (SPE), a estimativa mediana para o déficit primário de 2026 caiu de R$ 59,016 bilhões, projetados em junho, para R$ 58,077 bilhões no levantamento de julho. O otimismo moderado também se estendeu para o ano fiscal de 2027, cujo rombo previsto recuou de R$ 54,716 bilhões para R$ 53,878 bilhões.
Apesar das revisões positivas, os números revelam que o mercado ainda projeta dificuldades para o cumprimento pleno do arcabouço fiscal. O governo mantém metas ambiciosas de alcançar superávits primários de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e de 0,50% em 2027. Embora a legislação preveja uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual e autorize a exclusão de determinadas despesas (como o limite para precatórios), as projeções do Prisma indicam que o equilíbrio fiscal dependerá crucialmente de um aumento expressivo de receitas ou de um controle de gastos mais rígido nos próximos anos.
O Peso da Selic sobre a Dívida Bruta
No front do endividamento, as expectativas permaneceram rígidas e apontam para patamares historicamente elevados:
- Dívida Bruta para 2026: Mantida em 83,00% do PIB, idêntica à previsão realizada no mês anterior.
- Dívida Bruta para 2027: Estimada em 86,50% do PIB, também inalterada em relação a junho.
A equipe econômica liderada pelo ministro Fernando Haddad tem reiterado que a melhora gradual no resultado das contas primárias tem sido insuficiente para frear a trajetória de alta da dívida por conta do custo financeiro de carregamento dos títulos públicos. Atualmente fixada em 14,25% ao ano — patamar definido na reunião do Copom de junho —, a taxa básica Selic encarece consideravelmente os gastos governamentais com o pagamento de juros.
Pressão Geopolítica e Vetores Fiscais
Embora os agentes econômicos projetem um corte adicional de 25 pontos-base na Selic para a reunião do Banco Central no início de agosto, a recente escalada militar no Oriente Médio adicionou severas incertezas a essa trajetória. O recrudescimento do conflito entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz impulsionou as cotações do petróleo e gerou novos riscos de contágio inflacionário global, ameaçando a velocidade do ciclo de afrouxamento monetário do Banco Central do Brasil.
Em paralelo, as estimativas de fluxo de caixa do governo central para os próximos anos mostram movimentos divergentes no Prisma:
| Indicador | Projeção para 2026 (julho vs. junho) | Projeção para 2027 (julho vs. junho) |
| Receita Líquida | Alta para R$ 2,567 trilhões (de R$ 2,555 tri) | Alta para R$ 2,732 trilhões (de R$ 2,723 tri) |
| Despesas | Alta para R$ 2,626 trilhões (de R$ 2,619 tri) | Estável em R$ 2,776 trilhões (de R$ 2,776 tri) |
O avanço nas projeções de arrecadação do governo central foi o fator determinante para a melhora nas previsões dos déficits nominais, ajudando a absorver o incremento esperado na linha de despesas para 2026. A dinâmica reforça que a sustentabilidade fiscal no médio prazo continuará fortemente atrelada à performance da receita federal e ao comportamento das variáveis macroeconômicas globais.









