Livia Chanes passou a comandar as operações do Nubank na América Latina em julho de 2026, acumulando a nova função com a posição de CEO da companhia no Brasil. A promoção coloca a executiva à frente de uma estrutura que reúne mais de 135 milhões de clientes nos mercados brasileiro, mexicano e colombiano.
Com a reorganização, os responsáveis pelas operações no México e na Colômbia passam a se reportar diretamente a Livia, embora mantenham autonomia para conduzir os negócios locais. A mudança ocorre em um momento de expansão regional do Nubank, poucos dias depois de a empresa receber autorização para atuar como banco no mercado mexicano.
A nova função amplia a influência de uma executiva que construiu a carreira na interseção entre estratégia, tecnologia, produtos e serviços financeiros.
Formação combina engenharia e desenvolvimento sustentável
Livia Chanes é formada em Engenharia Mecânica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, onde estudou entre 2000 e 2004. Depois da graduação, concluiu mestrado em Transporte e Desenvolvimento Sustentável pela École des Ponts ParisTech, na França, e um MBA pelo Insead.
A formação técnica ajudou a construir um perfil profissional ligado à análise de problemas complexos, desenvolvimento de produtos e transformação de negócios.
Além do português, Livia possui domínio de inglês e francês e experiência profissional em espanhol, combinação relevante para a nova posição regional.
Uma década na McKinsey antes de entrar no setor bancário
A trajetória profissional começou na McKinsey & Company, onde Livia trabalhou por mais de dez anos. Ingressou na consultoria em 2005 e chegou à posição de sócia antes de deixar a empresa em 2015.
Durante essa etapa, acumulou experiência em estratégia, gestão e transformação de empresas. A passagem pela consultoria antecedeu sua entrada direta no mercado financeiro.
Em agosto de 2015, Livia assumiu a diretoria de negócios de tecnologia e análise de dados do Itaú Unibanco. Permaneceu na instituição até abril de 2020, liderando iniciativas relacionadas à digitalização, produtos e uso de informações para decisões comerciais.
A experiência no maior banco privado do país aproximou a executiva dos desafios enfrentados por instituições tradicionais diante do crescimento das fintechs e da mudança no comportamento dos clientes.
Entrada no Nubank ocorreu pela área de produtos
Livia ingressou no Nubank em junho de 2020 como vice-presidente de Produtos. Na função, participou do desenvolvimento e da ampliação de soluções oferecidas aos clientes brasileiros.
Em agosto de 2022, assumiu o posto de country manager do Brasil, tornando-se responsável pela operação da fintech no seu principal mercado. No início de 2024, foi promovida a CEO do Nubank Brasil.
Sob sua liderança, a companhia acrescentou mais de 50 milhões de clientes à base brasileira, que alcançou 115 milhões de usuários. O período também foi marcado pela ampliação dos produtos de crédito, pelo lançamento do serviço de telefonia NuCel e pelo crescimento da frente voltada a empresas.
O Nu Empresas atingiu 6 milhões de clientes, enquanto o NuCel superou a marca de 1 milhão de usuários. Esses movimentos mostram como o Nubank passou a buscar novas fontes de receita além da conta digital e do cartão de crédito.
Livia Chanes assume América Latina após avanço no México
A promoção para CEO da América Latina foi anunciada depois de o Nubank obter autorização para operar como banco no México. A empresa já reúne 15 milhões de clientes no país e ultrapassou US$ 5,9 bilhões em depósitos.
O Nu México atingiu o ponto de equilíbrio no primeiro trimestre de 2026 e deve receber US$ 4,2 bilhões em investimentos até 2030.
Na Colômbia, a fintech soma aproximadamente 5 milhões de clientes após cinco anos de operação. O investimento previsto para 2026 é de cerca de US$ 130 milhões.
A missão de Livia será ampliar a troca entre os três mercados e acelerar a adaptação de produtos desenvolvidos no Brasil para México e Colômbia.
“Meu compromisso é garantir que México e Colômbia se beneficiem de tudo o que construímos no Brasil. Essa troca acelera a inovação em todas as direções”, afirmou a executiva ao comentar a nova função.
O que muda na estrutura do Nubank
A reorganização estabelece uma liderança regional sem eliminar o comando local de cada país. Armando Herrera permanece responsável pelo México, enquanto Marcela Torres continua à frente da Colômbia.
Os dois executivos passam a responder diretamente a Livia, que seguirá acumulando o comando da operação brasileira.
A estrutura busca aproximar as equipes e acelerar o compartilhamento de tecnologia, produtos, processos e aprendizados. Ao mesmo tempo, preserva a capacidade de cada unidade responder às particularidades regulatórias e econômicas de seu mercado.
Para David Vélez, fundador e CEO global do Nubank, a unificação reflete o amadurecimento da operação regional. A tese da companhia é que problemas enfrentados no Brasil, como concentração bancária, burocracia e baixo acesso a produtos financeiros, também estão presentes em outros países latino-americanos.
Desafio agora é transformar escala em novas receitas
No Brasil, o Nubank já atende mais de 60% da população adulta. A companhia, porém, ainda vê espaço para aumentar a quantidade de produtos utilizados por cada cliente.
A empresa anunciou investimento de R$ 45 bilhões até 2026 para ampliar a oferta, acelerar a monetização da base e desenvolver novas frentes de negócio.
Na América Latina, o desafio será semelhante. O crescimento do número de clientes precisa ser acompanhado por maior utilização de crédito, investimentos, seguros, contas empresariais e outros serviços.
Livia assume a nova função com a experiência acumulada no maior mercado do grupo. Sua capacidade de adaptar esse modelo a países com regulações, hábitos financeiros e concorrentes diferentes será decisiva para o próximo ciclo do Nubank.









