Fotografias espalhadas por diferentes dispositivos, documentos preenchidos à mão e informações sem padronização ainda fazem parte da rotina de muitas imobiliárias. A Rede Vistorias nasceu em Florianópolis para digitalizar esse processo e chega aos dez anos com mais de 1 milhão de vistorias realizadas.
Ao longo desse período, a empresa analisou mais de 570 mil imóveis, 7,3 milhões de ambientes e 75 milhões de itens. No total, foram processados 360 milhões de detalhes sobre as condições das propriedades, formando uma base usada para padronizar relatórios e automatizar análises.
A companhia começou oferecendo vistorias imobiliárias, mas ampliou sua atuação para seguros, crédito, reparos e serviços especializados. Também iniciou uma expansão internacional e já mantém operações em Portugal, Uruguai, Paraguai e Colômbia.
Em 2026, a quantidade de imóveis cadastrados na plataforma cresceu 19%, segundo a empresa.
“O mercado imobiliário passou décadas operando praticamente da mesma forma. Nossa missão nunca foi apenas digitalizar uma vistoria, mas criar processos mais seguros, rápidos e transparentes para todos os envolvidos”, afirma Enrico Dias, fundador e CEO do Grupo Rede Vistorias.
Aplicativo substitui pranchetas e documentos dispersos
A vistoria registra as condições de um imóvel antes da entrada ou após a saída de um locatário. O relatório pode ser usado para esclarecer responsabilidades sobre danos, identificar necessidades de reparo e reduzir disputas entre as partes.
Quando o processo não segue um padrão, informações importantes podem ficar de fora. Fotografias sem identificação, descrições genéricas e documentos armazenados em locais diferentes dificultam comparações posteriores.
Para organizar essa rotina, a Rede Vistorias desenvolveu um aplicativo que concentra captura de imagens, preenchimento de listas de verificação e armazenamento dos dados em nuvem.
A ferramenta orienta o profissional durante a inspeção e busca manter uma estrutura semelhante em todos os relatórios, independentemente do imóvel ou do vistoriador responsável.
Recursos de inteligência artificial analisam o preenchimento durante o trabalho, identificam possíveis inconsistências e sugerem informações que precisam ser incluídas. O objetivo é reduzir falhas antes da conclusão da vistoria.
Inteligência artificial depende da base construída em dez anos
A Rede Vistorias afirma que a principal vantagem da plataforma não está apenas no uso de inteligência artificial, mas no volume de dados acumulado ao longo da última década.
Cada inspeção acrescenta informações sobre cômodos, materiais, instalações, equipamentos e condições de conservação. Quando organizados, esses registros permitem encontrar padrões e comparar situações semelhantes.
A base já reúne informações sobre 7,3 milhões de ambientes e 360 milhões de detalhes. Esse volume pode ajudar o sistema a reconhecer inconsistências, orientar o preenchimento dos relatórios e tornar as avaliações mais uniformes.
“O diferencial não está apenas na inteligência artificial. Está na qualidade dos dados que alimentam essa tecnologia”, afirma Dias.
A utilização desses registros exige controles de acesso e proteção das informações, uma vez que os relatórios podem incluir imagens do interior dos imóveis, documentos e dados relacionados a proprietários ou locatários.
Relatórios padronizados reduzem disputas
Uma vistoria imobiliária precisa permitir a comparação entre dois momentos diferentes. No início da locação, o documento registra a situação encontrada pelo inquilino. No encerramento, uma nova inspeção mostra o que mudou.
Quanto mais detalhados e padronizados forem os registros, maior será a capacidade de diferenciar desgaste natural, falta de manutenção e danos provocados durante o uso.
Essa clareza reduz o espaço para interpretações divergentes e pode acelerar negociações sobre reparos, devolução de garantias e encerramento de contratos.
O modelo digital também facilita o compartilhamento dos relatórios entre imobiliárias, proprietários, locatários e prestadores de serviço.
Em vez de depender de arquivos dispersos, as partes conseguem consultar imagens, descrições e histórico em uma mesma plataforma.
Empresa amplia atuação para outros serviços
A evolução da Rede Vistorias seguiu uma tendência observada entre empresas de tecnologia imobiliária: usar o primeiro serviço como porta de entrada para atender outras necessidades do cliente.
A companhia passou a reunir soluções relacionadas a seguros, crédito, reparos e serviços especializados. A proposta é acompanhar mais etapas da gestão do imóvel, em vez de participar apenas do início ou do encerramento de uma locação.
As informações coletadas nas vistorias podem ajudar a identificar a necessidade de manutenção, orientar orçamentos e organizar a contratação de prestadores.
A integração também cria oportunidades para oferecer serviços adicionais às imobiliárias que já utilizam a plataforma.
Esse movimento transforma a empresa em um ecossistema voltado ao imóvel. O desafio está em manter a qualidade ao entrar em áreas com operações, regras e modelos de receita diferentes.
Dados ganham valor no setor imobiliário
O mercado imobiliário sempre produziu grande quantidade de informações, mas boa parte permaneceu presa em documentos, fotografias e sistemas que não se comunicavam.
Com a digitalização, esses registros podem ser organizados para apoiar decisões sobre manutenção, risco, seguros e administração de propriedades.
Uma base ampla também permite observar padrões construtivos e problemas recorrentes em determinados tipos de imóveis. Esses dados podem ajudar empresas a antecipar reparos e melhorar processos.
Dias compara esse movimento ao impacto do Open Finance no setor financeiro, que ampliou a circulação de dados entre instituições e criou novos serviços.
“A próxima transformação do mercado imobiliário será orientada por dados. Acreditamos que o acesso a informações qualificadas vai tornar as negociações, a administração e a proteção dos imóveis muito mais eficientes”, afirma.









