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Intel aposta em CPUs para IA e vê espaço para crescer na América Latina

Murilo Rodrigues por Murilo Rodrigues
27/07/2026
em Empresas
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A Intel avalia que sua operação na América Latina mantém uma trajetória de crescimento, apesar da escassez global de semicondutores e das dificuldades enfrentadas pela companhia nos últimos anos. Para avançar na região, a fabricante aposta principalmente na demanda por processadores usados na fase de execução de modelos de inteligência artificial.

O negócio latino-americano é liderado desde maio por João Bortone, diretor-geral da Intel para a região. Segundo o executivo, a presença da marca em países como o Brasil chega a superar a observada em alguns mercados mais maduros, embora limitações de oferta ainda impeçam a companhia de atender integralmente à demanda.

“O negócio continua sendo saudável e continua em crescimento. Poderia ser mais? Poderia. Mas a questão de supply também nos afeta, já que não conseguimos suprir 100% do mercado no momento”, afirmou Bortone à Bloomberg Línea.

O executivo assumiu a posição em 4 de maio, no lugar de Gisselle Ruiz Lanza, que passou a liderar a operação da Intel na Europa, Oriente Médio e África.

Inferência vira principal aposta da Intel

A estratégia da companhia está concentrada na chamada inferência, etapa em que modelos de inteligência artificial já treinados são utilizados para executar tarefas, responder a comandos e operar aplicações nas empresas.

Enquanto o treinamento de grandes modelos depende principalmente de GPUs e de data centers de alta capacidade, a execução cotidiana dessas ferramentas também exige processadores, servidores e infraestrutura distribuída.

É nessa fase que a Intel pretende aproveitar sua presença no mercado de CPUs. A avaliação interna é que o avanço dos agentes de IA, aplicações empresariais e sistemas automatizados ampliará significativamente a demanda por processadores.

“A inferência é uma onda muito maior do que o treinamento”, disse Bortone. Segundo ele, é nessa etapa que a inteligência artificial chega efetivamente às empresas, aos governos e aos consumidores.

Estimativa do Citigroup aponta que o mercado de CPUs para servidores poderá saltar de US$ 29,3 bilhões em 2025 para aproximadamente US$ 132 bilhões em 2030. A expansão seria impulsionada principalmente por aplicações de IA agêntica.

Pelas projeções do banco, a Intel poderá deter 47% desse mercado ao fim da década, seguida pela AMD, com 34%, e por fabricantes baseados em arquitetura Arm e outros concorrentes, com os 19% restantes.

Escassez ainda limita mercado de computadores

A falta de componentes continua afetando tanto o segmento de computadores quanto os projetos de data centers. No mercado de PCs, a expectativa da Intel é de alguma melhora durante o segundo semestre de 2026.

Os prazos de entrega variam conforme os produtos, os clientes e a complexidade dos projetos. Ainda assim, Bortone afirma que a companhia vem conseguindo atender seus parceiros, embora abaixo do volume desejado.

A situação dos data centers é considerada mais complexa. A forte procura por infraestrutura de inteligência artificial pressiona a capacidade de produção de chips, servidores, sistemas de energia e outros componentes utilizados nesses ambientes.

Para reduzir os gargalos, a Intel trabalha na ampliação de sua rede de fábricas e na oferta de serviços de produção e encapsulamento avançado de semicondutores.

Operação regional se aproxima dos clientes

Na América Latina, a estratégia comercial envolve ampliar a proximidade com fabricantes de computadores, provedores de nuvem e empresas que utilizam infraestrutura de processamento em larga escala.

Entre os parceiros citados pelo executivo estão fabricantes como Lenovo, Dell e Positivo, além de plataformas de computação em nuvem como Microsoft Azure, Amazon Web Services e Google Cloud.

Bortone pretende adotar uma gestão orientada por agilidade comercial e contato direto com os clientes. O executivo já trabalhou anteriormente na Intel e também acumulou passagens por Google e Dell.

“O papel da Intel é mover o mercado, independentemente da construção de cada negócio”, afirmou.

Tags: América LatinaCPUsData CentersIntelInteligência ArtificialSemicondutores
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Murilo Rodrigues

Murilo Rodrigues é jornalista formado pela PUCRS, com atuação nas áreas de conteúdo digital, SEO e tendências. Tem experiência na construção de narrativas digitais estratégicas, unindo apuração, linguagem contemporânea e análise de tendências. Pautas em [email protected]

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