A colheita de soja no Brasil consolidou-se em patamares históricos, levando a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) a revisar para cima suas projeções para o ano de 2026. Em relatório divulgado nesta quarta-feira (20), a entidade estimou que a produção nacional atingirá o recorde de 180,13 milhões de toneladas. O volume representa um crescimento de 5% em relação ao ciclo anterior e reflete o alinhamento da associação com os dados oficiais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No mês anterior, a projeção da Abiove era mais conservadora, apontando para 177,85 milhões de toneladas.
Com o encerramento dos trabalhos de campo e a confirmação da superprodução, os estoques finais da oleaginosa no país devem atingir o maior volume registrado nos últimos nove anos. A Abiove projeta que as reservas estratégicas cheguem a 8,25 milhões de toneladas até o fim de 2026. Esse montante representa um incremento de 1,5 milhão de toneladas em relação ao cenário previsto em abril e configura o maior patamar de armazenamento desde 2017, quando os estoques brasileiros fecharam em 13,7 milhões de toneladas.
O excedente produtivo também impulsionará o comércio exterior, com as exportações de soja em grão estimadas no recorde de 114,1 milhões de toneladas para 2026. O número supera tanto a previsão do mês passado, de 113,6 milhões, quanto o total embarcado em 2025, que somou 108,2 milhões de toneladas. O desempenho reafirma a posição do Brasil como o maior produtor e exportador global do grão, garantindo o abastecimento dos principais mercados internacionais em um período de forte demanda.
No mercado interno, a atividade industrial também dá sinais de forte aquecimento. A previsão para o processamento (esmagamento) de soja no país foi elevada para 62,5 milhões de toneladas em 2026, o que significa uma alta de 300 mil toneladas frente ao relatório anterior. Comparado ao desempenho de 2025, o salto é de quase 4 milhões de toneladas. Esse avanço expressivo é sustentado pelo aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel comercial, em vigor desde agosto do ano passado, visto que o óleo de soja é a principal matéria-prima do biocombustível nacional.
Como consequência direta do maior volume de esmagamento, a produção dos derivados de soja atingirá marcas inéditas. A Abiove ajustou a expectativa de produção de farelo de soja para o recorde de 48,1 milhões de toneladas, superando as 47,9 milhões de toneladas estimadas em abril. Por sua vez, a fabricação de óleo de soja no país deve fechar o ano em 12,55 milhões de toneladas. O excedente desses subprodutos também será direcionado ao mercado externo, com as exportações de farelo projetadas em 24,8 milhões de toneladas e as de óleo em 1,6 milhão de toneladas.
O cenário de fartura no campo será acompanhado por um faturamento significativamente maior para o país. Diante de um reajuste positivo nos preços internacionais dos produtos exportados, especialmente do grão, a Abiove elevou a projeção de receita com as vendas externas do complexo soja (grão, farelo e óleo) para US$ 63,4 bilhões em 2026. A nova estimativa supera de longe os US$ 51,18 bilhões previstos no mês anterior e os US$ 52,9 bilhões faturados pelo setor em 2025, consolidando a oleaginosa como o principal motor da balança comercial brasileira.
