Ações da Ambev saltam após resultado acima das expectativas em cerveja

A Ambev (ABEV3) divulgou nesta terça-feira lucro líquido de R$ 3,885 bilhões no primeiro trimestre de 2026, resultado 2,1% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. O desempenho superou as estimativas do mercado e provocou forte reação positiva nas ações da companhia, que subiam 10,73%, cotadas a R$ 15,99, por volta das 10h13 (horário de Brasília).

O principal destaque do trimestre foi o segmento de cervejas no Brasil, que superou as projeções de analistas e compensou resultados mais fracos em outras operações da companhia. Os volumes cresceram 1,2% na comparação anual, atingindo um recorde para primeiros trimestres e sinalizando ganho de participação no sell-in — desempenho que, segundo a XP Investimentos, estava acima do consenso do mercado, que esperava retração entre 1% e 2%.

A receita líquida por hectolitro avançou 8,3% na base anual, também acima das estimativas, refletindo iniciativas de gestão de receita e melhora no mix de produtos. A administração reportou crescimento na casa dos 20% nos segmentos premium e super premium, parcialmente compensado por queda de um dígito baixo nas categorias core e value. Para a XP, o resultado deve superar o consenso e levar a revisões positivas nas projeções do setor.

A análise do Bradesco BBI foi além: segundo o banco, pela primeira vez em um longo período, os resultados devem provocar revisões para cima nas estimativas de lucro da Ambev. O BBI vinha questionando o desempenho da receita líquida da divisão de cervejas no Brasil diante da ausência de crescimento consistente em volume e preços — cenário agravado pela maior exposição da companhia ao segmento de cervejas tradicionais, que enfrenta tendência estrutural de queda. No primeiro trimestre, porém, houve uma inflexão: os volumes cresceram mesmo sobre bases comparativas mais exigentes, e os preços foram ajustados sem perda de participação de mercado, o que o banco interpreta como um fortalecimento do portfólio no melhor nível em anos.

O Itaú BBA atribuiu o EBITDA acima do esperado à dinâmica de receita mais forte no segmento de cervejas no Brasil, avaliando o trimestre como um sólido ponto de partida para o ano. O banco projeta que o desempenho deve ganhar força adicional ao longo do segundo e terceiro trimestres, com a Copa do Mundo como catalisador de curto prazo favorável às vendas. Mesmo nas operações que ainda enfrentam ambientes desafiadores — como Canadá e a divisão LAS (América do Sul, exceto Brasil) —, a XP identificou pontos positivos, com a companhia conseguindo expandir margens nessas geografias.

Apesar da leitura construtiva para o curto prazo, as principais casas de análise mantiveram cautela em suas recomendações. O Bradesco BBI reiterou recomendação neutra e preço-alvo de R$ 14, citando preocupações com o prêmio de valuation da Ambev frente a pares globais e com a sustentabilidade do crescimento de volumes no Brasil a partir de 2027. O Itaú BBA também manteve recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 17, e vê pouco espaço para uma reavaliação mais ampla do papel além do reconhecimento de um bom início de ano.

O mercado, no entanto, reagiu com entusiasmo. A valorização das ações na manhã desta terça-feira reflete o alívio dos investidores diante de uma inflexão operacional aguardada há meses — e a expectativa de que o vento favorável da Copa do Mundo, somado à melhora no mix de produtos, possa sustentar o momentum ao longo do segundo semestre.

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