As ações pagadoras de dividendos voltaram a ganhar força no primeiro semestre de 2026. Mesmo com a alta da bolsa no início do ano, o Ibovespa rendeu ligeiramente menos que o CDI no período, enquanto o IDIV, índice de dividendos da B3, superou tanto a bolsa quanto a renda fixa, segundo levantamento publicado pelo InfoMoney.
Entre os papéis do Ibovespa, a PetroRecôncavo (RECV3) liderou a distribuição de proventos entre janeiro e junho, com dividend yield de 12,06% no semestre. Apesar do desempenho, a ação não aparece entre as mais recomendadas por bancos e corretoras para os próximos meses.
O dado reforça um ponto importante para investidores de renda passiva: dividendos pagos no passado não garantem distribuição futura. Por isso, analistas também observam geração de caixa, endividamento, previsibilidade de receita, potencial de valorização e sustentabilidade da política de dividendos.
As maiores pagadoras de dividendos no semestre
Segundo levantamento da Elos Ayta a pedido do InfoMoney, a lista das maiores pagadoras no primeiro semestre foi liderada por empresas dos setores de petróleo, energia, seguros, shoppings e telecomunicações.
Entre os destaques estão PetroRecôncavo, Copel, BB Seguridade, CPFL Energia, Allos, Cemig e Telefônica Brasil.
Veja as maiores pagadoras do período:
| Empresa | Dividend yield no 1º semestre | Dividend yield em 12 meses |
|---|---|---|
| PetroRecôncavo (RECV3) | 12,06% | 9,52% |
| Copel (CPLE3) | 8,67% | 9,11% |
| BB Seguridade (BBSE3) | 7,17% | 12,67% |
| CPFL Energia (CPFE3) | 7,00% | 9,13% |
| Allos (ALOS3) | 6,18% | 12,10% |
| Cemig (CMIG4) | 6,13% | 11,86% |
| Telefônica Brasil (VIVT3) | 5,41% | 7,87% |
| B3 (B3SA3) | 5,00% | 5,17% |
| Petrobras (PETR4) | 4,39% | 9,46% |
| Petrobras (PETR3) | 4,16% | 8,71% |
Quais ações aparecem nas carteiras recomendadas
Nem todas as maiores pagadoras do semestre estão entre as preferidas dos analistas para a segunda metade do ano. Entre as ações com mais recomendações monitoradas pelo InfoMoney estão Allos, Petrobras, Itaúsa, Copel, Caixa Seguridade, Bradesco, Vale e Axia Energia.
Cinco delas também aparecem entre as maiores pagadoras do primeiro semestre: Allos, Petrobras, Copel, Caixa Seguridade e Itaúsa.
| Ação | Número de recomendações | Dividend yield em 12 meses |
| Allos (ALOS3) | 7 | 12,10% |
| Petrobras (PETR4) | 6 | 9,46% |
| Itaúsa (ITSA4) | 5 | 12,19% |
| Copel (CPLE3) | 5 | 9,11% |
| Caixa Seguridade (CXSE3) | 5 | 8,93% |
| Bradesco (BBDC4) | 5 | 8,95% |
| Vale (VALE3) | 5 | 10,40% |
| Axia Energia (AXIA3) | 5 | 9,07% |
Allos lidera recomendações
A Allos (ALOS3) aparece como a ação de dividendos mais indicada na virada do semestre, presente em sete das dez carteiras analisadas. A companhia também foi a quinta maior pagadora do semestre, com dividend yield de 6,18% em seis meses e 12,10% em 12 meses.
Analistas citam a previsibilidade das receitas dos shoppings e a nova política de dividendos da empresa como pontos favoráveis. O BTG Pactual avalia que o mercado ainda não precificou completamente o potencial da nova política de payout, caso ela se prove sustentável.
Petrobras segue entre as preferidas
A Petrobras (PETR4) aparece em seis carteiras recomendadas, com dividend yield de 9,46% em 12 meses. No primeiro semestre, a ação pagou 4,39% em proventos.
Mesmo após a correção do petróleo, bancos e corretoras veem espaço para a estatal manter distribuição relevante de dividendos em 2026 e 2027. Entre os pontos acompanhados estão preço do Brent, produção no pré-sal, custos competitivos e possíveis pressões relacionadas à participação do BNDES.
Itaúsa combina desconto e diversificação
A Itaúsa (ITSA4) aparece em cinco carteiras e tem um dos maiores dividend yields em 12 meses entre as mais recomendadas, com 12,19%. No semestre, porém, o retorno em proventos foi de 2,59%.
Analistas destacam o desconto da holding em relação aos ativos que carrega, principalmente sua participação no Itaú Unibanco. A diversificação para outros negócios, como Aegea, NTS e CCR, também é vista como uma forma de reduzir a dependência do setor financeiro.
Copel ganha força após privatização
A Copel (CPLE3) foi a segunda maior pagadora do semestre, com dividend yield de 8,67% em seis meses. A ação também aparece em cinco carteiras recomendadas.
Entre os pontos citados por analistas estão o cumprimento de metas após a privatização, a migração para o Novo Mercado e a capacidade de execução da companhia. A empresa também é vista como uma das opções mais atrativas do setor elétrico para o longo prazo.
Caixa Seguridade tem perfil defensivo
A Caixa Seguridade (CXSE3) aparece com cinco recomendações, dividend yield de 8,93% em 12 meses e retorno de 4,10% no semestre.
O papel é visto como uma alternativa defensiva dentro do setor financeiro. Analistas apontam a força comercial, a dinâmica positiva em previdência, a sinistralidade controlada e o acesso exclusivo ao canal da Caixa Econômica Federal como vantagens competitivas.
Bradesco, Vale e Axia entram pelo potencial
Bradesco (BBDC4), Vale (VALE3) e Axia Energia (AXIA3) não ficaram entre as maiores pagadoras do semestre, mas aparecem entre as mais recomendadas.
No caso do Bradesco, analistas veem possibilidade de recuperação operacional e geração de valor aos acionistas. Para a Vale, o foco está na geração de caixa, nos preços de minério de ferro, cobre e níquel e no crescimento em cobre. Já a Axia Energia é tratada como uma possível pagadora relevante de dividendos nos próximos ciclos, após pagamentos extraordinários desde 2025.
