Adyen cresce 26% na América Latina e vê Pix virar vitrine global

A Adyen registrou crescimento de 26% na receita anual da América Latina em 2025, o maior avanço entre as quatro regiões globais da companhia. No segundo semestre, a alta chegou a 34%.

Essa operação regional é liderada pela brasileira Thais Fischberg, presidente da Adyen para a América Latina há três anos e meio. A executiva assumiu o comando após passar pela vice-presidência de produtos da empresa, área ligada à adaptação das soluções da companhia aos mercados locais.

A Adyen atua nos bastidores de pagamentos digitais e presenciais de grandes empresas. A plataforma é usada por companhias como Uber, Amazon, iFood e Estapar, conectando transações online, maquininhas, serviços financeiros e prevenção a fraudes em uma única estrutura.

Em 2025, a empresa processou € 1,4 trilhão em pagamentos no mundo, o equivalente a cerca de R$ 8,2 trilhões. A receita líquida global foi de € 2,4 bilhões, aproximadamente R$ 14,1 bilhões, com EBITDA de € 1,2 bilhão, cerca de R$ 7 bilhões.

Pix ganha peso dentro da operação global

A digitalização financeira brasileira ganhou espaço dentro da estratégia global da Adyen. O Pix já está entre os três principais métodos alternativos de pagamento da companhia no mundo.

Para Thais, o sistema brasileiro deixou de ser apenas uma solução local e passou a servir de referência para outros mercados.

“O Pix virou um fenômeno cultural”, afirma. “O Brasil exporta muito conhecimento hoje em pagamentos.”

A Adyen participou da implementação do Pix desde o início e segue envolvida em discussões com o Banco Central sobre novas funcionalidades, como Pix recorrente e jornadas sem redirecionamento.

“A gente entende que faz parte do nosso papel trazer input para o regulador e participar dessa evolução do mercado”, diz a executiva.

Tech Hub no Brasil desenvolve soluções globais

A Adyen mantém um Tech Hub em São José dos Campos, no interior de São Paulo. A estrutura reúne desenvolvedores brasileiros que trabalham tanto na adaptação da plataforma ao mercado nacional quanto em projetos usados em outros países.

A empresa criou o centro para responder às particularidades do Brasil, um dos mercados mais sofisticados em meios de pagamento, com forte presença regulatória e rápida adoção de novas tecnologias.

“O regulador brasileiro é muito presente, o mercado evolui muito rápido e a gente precisa refletir tudo isso nas soluções”, afirma Thais.

Hoje, desenvolvedores do hub brasileiro também participam de projetos aplicados nos Estados Unidos e na Europa.

IA avança na prevenção a fraudes

A Adyen também ampliou o uso de inteligência artificial na prevenção a fraudes e na autenticação de transações. A companhia utiliza modelos de aprendizagem de máquina há anos, mas vem acelerando o uso da tecnologia para análise de comportamento.

Segundo a empresa, quando uma marca recebe um novo cliente, há mais de 90% de chance de a Adyen já conhecer aquela combinação de dados em algum ponto da sua rede global.

A base ajuda a validar compras com mais velocidade e reduzir fraudes sem criar barreiras extras para consumidores legítimos.

“A gente usa o poder da nossa rede de dados para aumentar a capacidade de tomada de decisão dos clientes”, afirma Thais.

Comércio agêntico entra no radar do varejo

A próxima frente observada pela companhia é o comércio agêntico, modelo em que agentes de inteligência artificial podem pesquisar produtos, comparar preços e concluir compras em nome dos consumidores.

“A gente está caminhando para um momento em que você delega decisões de compra para agentes inteligentes”, diz a executiva. “Isso vai transformar completamente o varejo.”

Esse tipo de operação exige novas camadas de autenticação, prevenção a fraudes, gestão de estoque e integração de catálogos. Para empresas de pagamento, a mudança abre uma nova disputa pela infraestrutura que vai sustentar transações feitas por sistemas automatizados.

Thais avalia que o Brasil pode ter papel importante nessa fase por causa da velocidade de adoção tecnológica dos consumidores.

“O brasileiro adota tecnologia muito rápido”, afirma. “A gente vê isso acontecer o tempo inteiro no mercado de pagamentos.”

Liderança regional tem marca de representatividade

Antes de chegar à Adyen, Thais passou por Mastercard, Santander e Worldline, com atuação em produtos, tecnologia e experiência do consumidor. Ela está no mercado de pagamentos há mais de duas décadas.

A executiva também é a primeira pessoa LGBTQIA+ a liderar a operação latino-americana da Adyen. Ao longo da carreira, diz ter sentido falta de referências parecidas em posições de comando.

“Representatividade importa muito”, afirma. “As pessoas precisam entender que podem chegar lá.”

Ela lembra que recebeu, no início da trajetória, feedbacks sobre a necessidade de desenvolver uma “postura mais executiva”.

“Eu tentava entender o que era essa postura executiva sendo uma pessoa tão diferente do que eu via naquela sala fechada de escritório”, afirma.

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