O agronegócio de São Paulo consolidou a Índia como um de seus parceiros estratégicos mais relevantes em 2025, posicionando o país asiático como o segundo maior destino comercial do setor no continente, atrás apenas da China. De acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), as exportações paulistas para o mercado indiano movimentaram 2 milhões de toneladas, gerando uma receita de US$ 906,5 milhões no último ano.
O complexo sucroalcooleiro lidera as transações, representando 76,8% do total exportado (US$ 696 milhões), seguido pelo óleo de soja (US$ 89 milhões) e produtos da indústria química de origem vegetal (US$ 33 milhões).
O destaque de crescimento, no entanto, ficou com o algodão, cujas vendas deram um salto de 160% em apenas um ano, passando de 5 mil para 15 mil toneladas. Para o Secretário de Agricultura e Abastecimento de SP, Geraldo Melo Filho, esses números refletem a diversidade e a qualidade do produto paulista na expansão de acordos internacionais.
O Cônsul Geral da Índia, Hansraj Singh Verma, ressaltou que a agricultura é o motor da relação bilateral entre Brasil e Índia, que atingiu a marca de US$ 15,21 bilhões em 2025. Complementando essa visão, Peter H. Burdzik, CEO da VALIA Brazil, destacou que a produção paulista se firmou como um fornecedor confiável, embora o ritmo das exportações continue sensível às variações de preço e ao cenário geopolítico global.
Além do fluxo comercial, São Paulo e Índia buscam estreitar laços na área de tecnologia e pesquisa. Em setembro de 2025, representantes da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) participaram do Brazil-India Agri Innovation Day, em Nova Delhi. O objetivo é integrar startups brasileiras e indianas para desenvolver soluções voltadas à segurança alimentar de uma população que já ultrapassa 1,4 bilhão de habitantes.
Carlos Nabil Ghobril, diretor da APTA, e Sergio Tutui, gestor do APTAHub, apontam que o intercâmbio técnico-científico com o ecossistema indiano — o quarto maior mercado de startups do mundo — é fundamental para impulsionar as deep techs paulistas. A expectativa é que essa cooperação gere empregos qualificados e consolide o estado como um polo de inovação de alto valor agregado para o setor agrícola mundial.
