Agronegócio é pressionado a reagir após Reino Unido também anunciar restrições à carne brasileira

Agro é pressionado a reagir após Reino Unido também aplicar restrições à carne brasileira gettyimages | Foto: Anderson Coelho

A decisão da União Europeia (UE) de suspender as importações de carne brasileira a partir de setembro, somada ao anúncio de que o Reino Unido estuda adotar barreiras semelhantes, acendeu o sinal de alerta no setor agropecuário nacional. A avaliação de especialistas em direito do agronegócio aponta que o país enfrenta um risco concreto de perda de competitividade global e de espaço nos mercados mais lucrativos se não implementar uma governança sanitária rigorosa, transparente e totalmente auditável de ponta a ponta na cadeia produtiva.

A postura adotada por Bruxelas reflete uma mudança de paradigma nas relações comerciais contemporâneas. De acordo com Ieda Queiroz, coordenadora de contratos e agronegócios do CSA Advogados, o bloco europeu exige evidências documentais e práticas, rejeitando a mera presunção de conformidade regulatória. A ausência de mecanismos robustos e verificáveis de rastreabilidade animal individual e de controle estrito sobre o uso de antimicrobianos pode gerar prejuízos financeiros de longo prazo, arranhando a credibilidade do produto brasileiro perante outros grandes compradores internacionais.

A sinalização de restrições por parte do governo britânico evidencia que a desconfiança em relação aos padrões de controle do Brasil tornou-se um problema sistêmico e de reputação geográfica. Quando múltiplos mercados caracterizados pelo elevado rigor técnico e sanitário elevam o tom das exigências simultaneamente, fica claro que as políticas de fiscalização interna do país entraram em uma fase de severo escrutínio global.

Requisito RegulatórioSituação Atual no BrasilExigência dos Mercados Compradores (UE / Reino Unido)
Uso de AntibióticosProibido apenas como promotor de crescimento.Controle rígido de antimicrobianos com receituário e histórico auditável.
RastreabilidadeFocada majoritariamente no controle de trânsito de lotes.Rastreabilidade individual do animal do nascimento ao abate.
FiscalizaçãoAuditorias oficiais amostrais realizadas pelo governo.Auditorias independentes de terceira parte e documentação digitalizada.

Em resposta à crise, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) está centralizando esforços na elaboração de relatórios técnicos detalhados e planos de ação para responder aos questionamentos das autoridades europeias. Contudo, analistas de mercado ressaltam que a reabilitação comercial do Brasil e a suspensão dos embargos não serão resolvidas apenas na esfera diplomática ou burocrática; elas dependem de transformações reais e de investimentos em tecnologia nas fazendas e frigoríficos.

Embora o Brasil possua leis que proíbam o uso de antibióticos com a finalidade exclusiva de acelerar o ganho de peso do rebanho, essa barreira legal é vista lá fora como insuficiente. As novas regras europeias e britânicas demandam a comprovação documentalizada de todo o ciclo de vida do animal, incluindo relatórios veterinários individualizados e a verificação por auditorias externas e independentes. O grande desafio do agronegócio brasileiro para os próximos meses será reduzir de forma célere a distância entre o arcabouço normativo existente no papel e a prática operacional observada no cotidiano do campo.

Sair da versão mobile