A safra brasileira de soja 2025/26 caminha para um patamar histórico, com a produção estimada em 181 milhões de toneladas. O dado foi divulgado nesta segunda-feira pela consultoria AgRural, que revisou para cima sua previsão anterior em cerca de 600 mil toneladas.
O otimismo reflete o bom desempenho das lavouras e o avanço eficiente das colheitadeiras em campo, consolidando o Brasil como protagonista global na oferta da oleaginosa.
Segundo o monitoramento da consultoria, os trabalhos de colheita apresentam um ritmo sólido em Mato Grosso e ganharam tração no Paraná, além de estarem em fases iniciais ou de evolução em outros estados produtores.
Até a última quinta-feira, 4,9% da área total cultivada no país já havia sido colhida, superando os 2% registrados na semana anterior e os 3,9% observados no mesmo período do ano passado. Esse avanço indica uma janela favorável para o escoamento e para o plantio da segunda safra.
No segmento do milho, as projeções também foram elevadas. A produção total do grão para o ciclo 2025/26, englobando as três safras, é agora estimada em 136,6 milhões de toneladas — um incremento em relação aos 136 milhões projetados em dezembro.
O ajuste reforça a expectativa de um ano de alta produtividade para o agronegócio nacional, apesar dos desafios logísticos e de preços que o setor enfrenta sazonalmente com o aumento da oferta.
Os contratos de soja e milho para vencimento em 2026 operam em queda, à medida que os operadores incorporam a possibilidade real de o Brasil entregar 181 milhões de toneladas de soja, o que aumentaria os estoques globais e acirraria a competição por exportações.
Para a soja, o avanço acelerado da colheita (4,9% da área) gera o chamado “pressão de safra”. Com o grão chegando mais rápido aos armazéns e portos, há uma urgência maior na venda, o que limita qualquer recuperação de preços no curto prazo. Além disso, a revisão positiva de 600 mil toneladas reforça o sentimento de “mão cheia” no campo, desencorajando posições compradas (de alta) entre os fundos de investimento.
No caso do milho, a elevação da estimativa para 136,6 milhões de toneladas traz um componente adicional de preocupação para o produtor: a logística. A colheita recorde de soja começa a ocupar os espaços de armazenagem, e o mercado de milho antecipa que, se a produção total for confirmada, o preço do cereal pode sofrer ainda mais na época da “safrinha”, devido à escassez de silos. Na B3, isso se traduz em contratos futuros mais baixos para o segundo semestre de 2026.
Entretanto, esse viés de baixa é parcialmente atenuado pela taxa de câmbio. Se o dólar permanecer fortalecido frente ao real, a queda nos preços das commodities em Chicago pode não ser sentida integralmente no Brasil, já que a conversão para a moeda nacional protege a receita bruta do exportador. O mercado agora monitora o clima no Rio Grande do Sul e no Matopiba, regiões que ainda podem trazer volatilidade às projeções finais se houver quebras localizadas.
