Startup apoiada pelo Mercado Livre quer digitalizar o mercado de autopeças na América Latina

A Alephee quer resolver um dos maiores gargalos do mercado de autopeças na América Latina: transformar catálogos complexos em produtos fáceis de vender online. Fundada na Argentina em 2017, a startup criou uma plataforma para organizar dados técnicos, imagens, compatibilidade de peças e integração com marketplaces.

A empresa nasceu a partir de uma demanda do Mercado Livre, que buscava estruturar a categoria de autopeças. O projeto começou como um MVP desenvolvido por uma software house dos fundadores Gastón Zelerteins, Jonathan Saiegh e Javier Neumann. Depois, virou negócio próprio e atraiu o Mercado Livre como investidor inicial.

Desde então, a Alephee captou US$ 5 milhões, passou pela Y Combinator em 2021 e recebeu aportes de fundos como Tiger Global, Global Founders, FJ Labs e Soma Capital.

Autopeças exigem mais do que uma foto e um preço

Vender uma peça de carro na internet é mais complexo do que vender um eletrônico ou um livro. O setor lida com milhões de itens, diferentes versões de veículos, anos de fabricação, atributos técnicos e tabelas de compatibilidade.

A Alephee atua justamente nessa camada. A plataforma organiza fotos com fundo branco, informações técnicas por linha de produto e dados que indicam em quais modelos cada peça pode ser usada.

Esse trabalho de catalogação virou a principal barreira de entrada da startup. Hoje, a empresa afirma ter registrado cerca de 4 milhões de SKUs de quase 2.500 marcas, incluindo Bosch, Pirelli, Bridgestone, Stellantis, GM, Volkswagen e Mercedes-Benz.

Os catálogos ficam disponíveis para distribuidores e revendedores venderem em canais digitais.

Brasil representa 60% da receita

A Alephee chegou ao Brasil em 2018. Hoje, o país responde por cerca de 60% da receita da companhia.

A expansão regional ocorreu em grande parte ligada ao Mercado Livre, que foi o único marketplace integrado à plataforma até 2024. No ano passado, a startup também passou a integrar seus catálogos à Shopee e iniciou um processo semelhante com o Magazine Luiza.

A empresa também fechou parceria com a Nuvemshop para permitir que distribuidores criem seus próprios sites de e-commerce B2C, com integração automática de estoques e tabelas de preço.

Dentro do Mercado Livre, a Alephee estima que cerca de 15% das vendas de autopeças e componentes passem por sua infraestrutura. A categoria de veículos é uma das maiores da plataforma, com mais de 11 milhões de anúncios ativos, e peças representam cerca de 60% do volume da vertical.

B2B vira próxima frente de crescimento

Apesar da força do varejo online, a maior oportunidade da Alephee está no B2B. Cerca de 90% do mercado de autopeças na América Latina ainda transaciona entre fabricantes e distribuidores, muitas vezes por telefone, e-mail ou WhatsApp.

Há dois anos, a startup lançou um portal B2B para digitalizar pedidos entre empresas. A solução já representa 20% do faturamento total da Alephee e começou agora o rollout oficial no Brasil, depois de testes na Argentina e no México.

A nova frente também abre espaço para receitas em serviços financeiros incorporados à plataforma. A empresa avalia oferecer inteligência de crédito, facilidades de pagamento e seguros para a cadeia de suprimentos, usando parceiros financeiros integrados ao sistema.

A lógica é não construir uma operação financeira própria, mas plugar fornecedores à plataforma e monetizar por meio de take rate nas transações.

Startup prepara rodada de até US$ 15 milhões

Para financiar a expansão, a Alephee prepara uma nova rodada de investimento. A meta é captar entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões nos próximos meses.

Os recursos devem apoiar o avanço no B2B, melhorias em inteligência artificial para análise preditiva de preços e ferramentas ligadas à logística de última milha.

A startup também vem modernizando sua infraestrutura tecnológica para ganhar escala. A mudança começou no ano passado e busca reduzir gargalos que limitavam a abertura de novas contas de clientes.

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