O Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR) registrou uma expressiva desaceleração em junho de 2026, com uma alta mensal de apenas 0,10%, após ter avançado 0,33% no mês de maio. De acordo com os dados oficiais divulgados nesta terça-feira (7) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), o indicador de locação residencial interrompeu o movimento recente de aperto no orçamento familiar, acumulando uma valorização de 4,46% nos doze meses encerrados em junho — um recuo frente aos 5,42% apurados na leitura acumulada até o mês anterior.
A moderação no desempenho do índice agregado foi capitaneada pelo comportamento do mercado imobiliário de São Paulo, que detém o maior peso relativo na ponderação da FGV. Conforme a análise do economista Matheus Dias, do Ibre/FGV, o cenário macroeconômico brasileiro tem atuado como uma âncora natural para conter os reajustes excessivos.
A manutenção da taxa básica de juros (Selic) em patamares restritivos comprime o poder de compra e a renda disponível da população, enquanto o arrefecimento generalizado dos índices oficiais de inflação (IPCA e IGP-M) reduz o piso de indexação e a necessidade de repasses agressivos por parte dos proprietários de imóveis.
O recuo de 0,19% nos aluguéis em São Paulo representou uma quebra de tendência relevante para a maior metrópole do país, encerrando uma sequência de doze meses consecutivos de altas reais. No acumulado de doze meses, o mercado paulistano reduziu o ritmo de reajuste de 7,56% para 3,95%. A performance regional contrastou com a resiliência de preços observada nas demais praças pesquisadas pela fundação, embora a força do mercado de São Paulo tenha sido suficiente para neutralizar a pressão altista das outras capitais.
Nas outras três capitais que integram a cesta de dados do IVAR, as locações residenciais mantiveram trajetórias de estabilidade ou desaceleração marginal no mês de junho. No Rio de Janeiro, a taxa mensal avançou de 0,34% para 0,35%, consolidando uma variação de 5,87% no acumulado de doze meses. Em Porto Alegre, os novos contratos variaram de 0,32% para 0,33% no período, registrando a menor taxa acumulada entre as praças investigadas, com 3,06% em doze meses. Por fim, o mercado de Belo Horizonte mostrou o maior arrefecimento mensal ao passar de uma alta de 0,64% em maio para uma expansão de 0,34% em junho, sustentando o patamar acumulado de doze meses em 7,07%.
Diferente das metodologias tradicionais que captam apenas as ofertas de anúncios imobiliários, o IVAR mensura a evolução real dos preços de locação ao coletar dados diretamente dos contratos assinados e liquidados entre locadores e locatários, sob a intermediação de administradoras de imóveis. Esse desenho estatístico garante uma leitura fiel das condições de demanda e negociação nas principais praças urbanas do país, refletindo o equilíbrio dinâmico entre o bolso do inquilino e a taxa de retorno exigida pelo locador.









