Conhecida por resorts de luxo em destinos como as Maldivas, a Anantara escolheu a praia do Preá, no Ceará, para estrear no Brasil. A marca do grupo tailandês Minor Hotels vai administrar um resort de R$ 150 milhões dentro de um projeto imobiliário que prevê até R$ 5 bilhões em investimentos até 2034.
O Anantara Preá Ceará Resort terá 70 suítes, um bangalô presidencial e spa da marca. As obras tiveram início oficial em 25 de junho, e a inauguração está prevista para o segundo semestre de 2028.
Localizado a cerca de 20 minutos do Aeroporto Regional de Jericoacoara, no município de Cruz, o empreendimento será construído em uma região que ganhou projeção internacional pelo kitesurfe. Ventos fortes e constantes atraem turistas estrangeiros, especialmente europeus, e ajudaram a transformar o antigo vilarejo de pescadores em destino de esportes aquáticos e turismo de alto padrão.
Projeto de até R$ 5 bilhões tem ex-XP à frente
O parceiro local da Anantara é o Grupo Carnaúba, fundado em 2019 por Julio Capua, cofundador da XP Investimentos. O empresário lidera um projeto para transformar o Preá em um destino turístico planejado.
O grupo comprou cerca de 12 milhões de metros quadrados na região, boa parte durante a pandemia, por um preço médio de R$ 25 por metro quadrado. A previsão é investir até R$ 5 bilhões até 2034.
Segundo o grupo, o portfólio completo pode alcançar Valor Geral de Vendas próximo de R$ 30 bilhões em um horizonte de 15 a 20 anos.
A Anantara não será proprietária do terreno nem responsável pela construção do hotel. O modelo segue a estratégia asset light comum entre grandes redes internacionais: a Minor Hotels assume a gestão do empreendimento.
O contrato terá prazo de 15 anos e prevê remuneração escalonada de até cerca de 3% sobre o faturamento total, além de percentual progressivo sobre o lucro.
XP tem 30% da holding
A estrutura financeira também carrega a ligação de Capua com o mercado financeiro. A XP possui 30% da holding do Grupo Carnaúba, por meio de um fundo imobiliário estruturado em 2023.
O veículo captou R$ 217 milhões com 1.112 cotistas. Antes disso, uma rodada realizada em 2021 havia levantado US$ 32 milhões com 60 investidores, entre eles Guilherme Benchimol, cofundador da XP.
Para o hotel, foi criado um fundo específico, chamado Wings. O Banco do Nordeste (BNB) financia entre 70% e 90% do empreendimento por meio do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste.
Segundo informações apresentadas pelo Grupo Carnaúba e publicadas pela Bloomberg Línea, a linha tem prazo de 20 anos, quatro anos de carência e taxa de 2,8% ao ano mais IPCA.
Diária projetada é de R$ 3 mil
A diária média projetada para o futuro resort é de aproximadamente R$ 3 mil em valores atuais.
O hotel também terá 24 Branded Residences Anantara, casas de quatro suítes entregues mobiliadas e com possibilidade de gestão de locação pela equipe do resort.
A estreia no Ceará coloca o Brasil entre as prioridades de expansão da Anantara. A marca tem hoje cerca de 40 hotéis em 26 países, e o país divide com Japão e Arábia Saudita o topo da agenda de crescimento em 2026.
A Minor Hotels também prepara um projeto da Anantara em Baixio, na Bahia, mas a abertura foi projetada para 2029. Com o cronograma atual, o Preá deve receber a primeira unidade brasileira.
Preá recebe infraestrutura e novos projetos
A chegada do hotel ocorre em paralelo a investimentos públicos e privados na região. O governo do Ceará aplica R$ 99 milhões em saneamento, drenagem e abastecimento de água no Preá.
Também há esforços para internacionalizar o Aeroporto de Jericoacoara, administrado pela alemã Fraport. O terminal tem R$ 200 milhões em investimentos previstos, segundo dados citados pela reportagem.
A oferta de voos semanais passou de cinco para 25 desde 2019.
Dentro do próprio ecossistema do Grupo Carnaúba, o condomínio Vila Carnaúba já vendeu 119 dos 192 lotes, com ticket médio de R$ 3 milhões. As casas custam, em média, R$ 6 milhões.
O empreendimento foi organizado ao redor de lagoas artificiais, uma resposta às características da praia, marcada por ventos que favorecem esportes à vela, mas dificultam o banho em determinados períodos.
