O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Arthur Watt, afirmou nesta terça-feira (10) que a autarquia não vislumbra riscos de falta de combustíveis no mercado brasileiro. A declaração busca acalmar o setor após relatos recentes de restrição na oferta, especialmente na região Sul, em um momento de forte volatilidade nos preços internacionais do petróleo.
A manifestação da agência reguladora ocorre após informações de que a Petrobras estaria negando pedidos de compra de volumes extras de diesel feitos por distribuidoras.
A negativa da estatal estaria atrelada a uma defasagem recorde entre os preços praticados internamente e as cotações no mercado externo, que dispararam recentemente. Apesar desse cenário, Watt assegurou que o monitoramento diário da agência mostra estoques regulares e entregas dentro da normalidade por parte dos principais produtores e refinarias.
Segundo o diretor-geral, a ANP não identificou “gargalos físicos” que pudessem comprometer o abastecimento nacional no curto prazo. Ele explicou que as queixas recebidas pela autarquia concentram-se, majoritariamente, em divergências contratuais entre agentes do mercado — incluindo Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs) — e não em uma escassez real do produto nas bases de distribuição.
Embora descarte o desabastecimento, a ANP reiterou que segue acompanhando a situação com atenção devido ao dinamismo dos preços globais. O setor produtivo permanece em alerta para os impactos que a defasagem de preços pode causar na logística de importação, uma vez que a manutenção de valores abaixo do mercado internacional pode desestimular empresas privadas a trazerem combustível do exterior para suprir a demanda interna.
A logística de importação de diesel no Brasil é um processo complexo que envolve coordenação entre o mercado internacional, infraestrutura portuária e regulação estatal. Como o Brasil não é autossuficiente na refinação (apesar de ser um grande produtor de petróleo bruto), cerca de 20% a 25% do diesel consumido no país precisa ser importado.
Historicamente, os EUA eram os maiores fornecedores, mas em 2024 e 2025 houve um aumento massivo na importação de diesel da Rússia devido aos preços competitivos (descontos aplicados em função das sanções ocidentais).
