A economia da China iniciou o ano de 2026 com um desempenho comercial significativamente acima das projeções de mercado. Impulsionadas por uma forte demanda global por produtos eletrônicos e tecnologia de ponta, as exportações da segunda maior economia do mundo saltaram 21,8% em dólares no primeiro bimestre, superando com folga a alta de 6,6% observada em dezembro e a previsão de 7,1% estimada por analistas em pesquisa da Reuters.
O resultado coloca o país em uma trajetória favorável para bater o superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão alcançado no ano anterior. Segundo dados oficiais, o superávit nos dois primeiros meses deste ano atingiu US$ 213,6 bilhões, valor consideravelmente superior aos US$ 169,21 bilhões registrados no mesmo período de 2025. As importações também apresentaram um crescimento robusto, com avanço de 19,8% no bimestre, acelerando em relação aos 5,7% de dezembro.
Especialistas apontam que o setor tecnológico continua sendo o principal motor desse crescimento. Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit, destaca que o avanço nos embarques de circuitos integrados reflete o atual “boom” de investimentos globais em inteligência artificial. No entanto, o analista ressaltou que houve uma surpresa positiva em setores de baixo valor agregado, como têxteis e vestuário, que voltaram a ganhar fôlego após um desempenho modesto em 2025.
Apesar do otimismo, o cenário econômico permanece sob o alerta de tensões geopolíticas no Oriente Médio. Economistas monitoram de perto os desdobramentos dos conflitos envolvendo EUA, Israel e Irã, especialmente devido ao risco de fechamento do Estreito de Ormuz. Um eventual bloqueio na região, por onde transita um quinto do petróleo mundial, poderia gerar choques nos custos de energia e logística, impactando a produção industrial chinesa nos próximos meses.
Por outro lado, o ritmo das exportações pode ganhar um impulso adicional de curto prazo. Existe uma expectativa de que fábricas chinesas acelerem embarques para os Estados Unidos para aproveitar a suspensão de tarifas determinada pela Suprema Corte americana. Para sustentar esse ritmo produtivo, a China reforçou seus estoques de commodities essenciais, como minério de ferro e petróleo bruto, garantindo o suprimento para suas linhas de montagem neste início de ano.
