Após reunião com Banco Mundial, ConectarAGRO celebra investimento global em conectividade rural

A conectividade rural avança como uma das principais agendas estratégicas do agronegócio global e o Brasil ocupa posição central nesse movimento. A ConectarAGRO atua como uma das principais vozes do setor na luta por maior visibilidade e iniciativas em prol da conectividade rural e foi parte determinante no acordo firmado recentemente, em Washington, entre o Banco Mundial e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). A aliança prevê a mobilização de cerca de US$ 3 bilhões para ampliar o acesso à conectividade de agricultores familiares na América do Sul e no Caribe, e ocorreu após uma reunião da ConectarAGRO com o Banco Mundial, em outubro de 2025.

Neste encontro, a associação apresentou seu ICR (Indicador de Conectividade Rural), que mensura a conectividade em áreas rurais e remotas do Brasil, além de ajudar a identificar as regiões que mais precisam de investimentos em conectividade. A atuação da associação evidencia o papel estratégico do associativismo na construção de pontes entre setor privado, governos e organismos multilaterais ao promover o diálogo e fomentar estudos para auxiliar em tomadas de decisões de políticas públicas.

O alinhamento entre organismos multilaterais e o setor produtivo reforça a urgência do tema em toda a América Latina e Caribe. Para Diego Arias Carballo, Practice Manager do Banco Mundial, a conectividade rural é decisiva para reduzir desigualdades históricas entre o campo e os centros urbanos.

Acreditamos que a conectividade rural representa uma grande oportunidade para fechar a lacuna entre o desenvolvimento da agricultura familiar e outros setores, assim como entre a produtividade das áreas rurais e urbanas. Hoje, 71% da população urbana da América Latina e Caribe tem acesso à internet, enquanto nas zonas rurais esse índice é de apenas 37%. Essa diferença faz com que cerca de 77 milhões de pessoas no meio rural ainda estejam desconectadas, o que impacta negativamente educação, emprego e o acesso a serviços públicos e privados”, afirma Diego.

Segundo o executivo, os governos da região já começam a avançar em iniciativas de digitalização da economia e em investimentos em infraestrutura pública digital, com atenção especial ao setor agroalimentar. “A conectividade é fundamental para o desenvolvimento de uma agricultura moderna, mais produtiva e competitiva. Além disso, contribui para aproximar as oportunidades do campo àquelas encontradas nos centros urbanos, atraindo jovens para o setor e impulsionando ganhos de produtividade. Por isso, apoiamos iniciativas que promovam investimentos em conectividade rural, com foco em fortalecer a agricultura familiar”, completa.

O acordo firmado integra um programa internacional voltado à inclusão digital no campo, com metas ambiciosas de impacto até 2030. O Brasil é considerado peça-chave para o alcance desses objetivos, tanto pelo tamanho de sua produção quanto pelos desafios estruturais que ainda enfrenta. Entre eles, limitações logísticas e de infraestrutura, como a baixa capacidade de armazenagem, seguem influenciando diretamente a competitividade do setor e a formação de preços de commodities em escala global.

Diante disso, a conectividade surge como elemento essencial para viabilizar ganhos de eficiência, acesso a mercados, uso de tecnologias no campo e, sobretudo, para a geração e circulação de dados, base indispensável para o avanço da inteligência artificial no agronegócio. Sem conectividade e sem dados, não há como escalar soluções de IA no campo.

“Esse movimento global mostra que a conectividade rural ocupa lugar de destaque nas pautas e passa a ser uma prioridade estratégica para o desenvolvimento agrícola em escala mundial. O Brasil tem muito a contribuir com esse debate, e a ConectarAGRO atua justamente para levar essa visão de forma estruturada e colaborativa. Hoje, falamos cada vez mais sobre inteligência artificial no agro, mas é importante reforçar: sem conectividade e sem dados, não existe IA aplicada de forma eficiente no campo”, afirma Paola Campiello, presidente da ConectarAGRO.

É com esse pano de fundo que a associação participa da Agrishow, um dos principais eventos do agronegócio do mundo, destacando o associativismo como motor de transformação. Ao reunir empresas líderes em seus segmentos, como a CNH, TIM, Nokia, Hughes, Sol by RZK e Solinftec, a ConectarAGRO tem conseguido impulsionar projetos concretos, ampliar o alcance da conectividade no campo e fortalecer sua atuação institucional.

“O associativismo é o que nos dá escala, consistência e relevância. Quando empresas com expertise e capacidade de investimento se unem em torno de um objetivo comum, conseguimos acelerar agendas que seriam muito mais lentas de forma isolada. Prova disso são os últimos resultados que tivemos: reunião com Banco Mundial, participação na COP30 e nossos estudos servindo de base para governos e organizações mundiais. Por isso, estamos sempre em movimento e convidamos todas as empresas que se alinhem com os ideais da ConectarAGRO a se juntarem ao movimento”, completa Campiello.

A relevância da atuação da ConectarAGRO também ficou evidente em sua participação na COP30, realizada no final de 2025, em Belém. No evento, a associação contribuiu para ampliar a visibilidade da conectividade rural como uma aliada direta da sustentabilidade no agronegócio, conectando inovação tecnológica a práticas mais eficientes e responsáveis no campo.

Durante as discussões, a entidade destacou como o acesso à conectividade permite maior precisão no uso de insumos, monitoramento ambiental em tempo real e adoção de práticas agrícolas mais resilientes às mudanças climáticas, fatores essenciais para uma produção mais sustentável.

A agenda climática passa, necessariamente, pela transformação digital do campo. Não existe agricultura sustentável em larga escala sem acesso à conectividade. Foi isso que levamos para a COP30: a mensagem de que tecnologia e sustentabilidade caminham juntas e é necessário um olhar atento para esta temática, pois reverbera em diversos outros assuntos, como por exemplo a segurança alimentar do planeta”, afirma a presidente.

A ConectarAGRO mostra que a união de organizações com grande capacidade de inovação e investimento permite à entidade atuar de forma coordenada, ampliando sua influência em fóruns estratégicos e contribuindo para o avanço de políticas públicas mais eficazes.

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