A JBS ampliou investimentos nos Estados Unidos mesmo em meio à crise no mercado de carne bovina e ao aumento da pressão regulatória no país.
Segundo Wesley Batista Filho, CEO da JBS USA, a companhia continua otimista em relação ao mercado americano e pretende aumentar a participação dos Estados Unidos na receita global do grupo.
Hoje, cerca de metade da receita da JBS já vem das operações nos EUA.
Empresa investe US$ 800 milhões nos EUA
A JBS informou que deve investir mais de US$ 800 milhões nos Estados Unidos ao longo deste ano. Os recursos serão destinados à modernização de fábricas e construção de novas unidades.
Entre os projetos está a reforma da planta de Cactus, no Texas, considerada uma das maiores unidades de abate bovino do país. A empresa pretende investir US$ 150 milhões na operação.
A companhia também planeja novas fábricas nos estados de Iowa e Geórgia.
Escassez de gado pressiona margens
Apesar da expansão, o setor enfrenta uma das maiores crises de oferta de gado das últimas décadas nos Estados Unidos.
O rebanho americano caiu para cerca de 86,2 milhões de cabeças, o menor nível desde 1951.
A escassez elevou o preço do gado e reduziu as margens dos frigoríficos.
Segundo a JBS, a operação de carne bovina nos EUA faturou US$ 7,2 bilhões no primeiro trimestre, mas encerrou o período no vermelho devido ao aumento dos custos.
Executivos da companhia afirmaram que o início de 2026 representou um dos períodos mais difíceis já enfrentados pela indústria bovina americana.
Governo dos EUA investiga setor
Além da pressão operacional, a JBS também enfrenta investigações antitruste nos Estados Unidos.
O Departamento de Justiça americano abriu apuração contra as quatro maiores processadoras de carne bovina do país, incluindo JBS, Tyson Foods, Cargill e National Beef.
As autoridades investigam possíveis práticas anticoncorrenciais ligadas à compra de gado e formação de preços no mercado de carne bovina.
Segundo reportagens internacionais, empresas do setor já fecharam acordos milionários em ações civis relacionadas à suposta manipulação de preços, sem admitir culpa.
Greves e pressão trabalhista entram no radar
A operação da JBS nos EUA também enfrenta desafios trabalhistas.
Em março, cerca de 3,8 mil funcionários da unidade de Greeley, no Colorado, entraram em greve após impasses nas negociações sindicais.
A planta representa aproximadamente 5% da capacidade de processamento de carne bovina dos Estados Unidos.
Especialistas apontam que pressões trabalhistas, custos elevados e menor oferta de gado devem continuar impactando o setor nos próximos meses.
JBS aposta em diversificação global
A companhia afirmou que operações no Brasil e na Austrália ajudam a compensar parte das dificuldades enfrentadas nos Estados Unidos.
Analistas avaliam que a diversificação geográfica se tornou estratégica para frigoríficos globais diante da volatilidade do ciclo pecuário.
Além da carne bovina, a JBS também ampliou presença em frango, suínos, alimentos processados e proteínas alternativas.
Mercado acompanha próximos movimentos
Investidores seguem monitorando o impacto da crise do gado americano sobre os resultados da empresa.
O mercado também acompanha os desdobramentos das investigações antitruste e da expansão internacional da companhia.
Especialistas avaliam que o setor de proteínas continuará enfrentando forte volatilidade ligada a oferta de animais, custos operacionais e demanda global.
