A arrecadação federal atingiu R$ 325,7 bilhões em janeiro de 2026, o maior valor mensal registrado desde o início do monitoramento pela Receita Federal, em 2000. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (24) e mostram alta real de 3,56% na comparação com janeiro do ano anterior.
O resultado surpreende pelo contexto: janeiro é historicamente um mês fraco para a arrecadação. Chegar ao maior patamar da série histórica no período reforça uma tendência que já vinha se desenhando — a União encerrou 2025 com R$ 2,88 trilhões arrecadados, também o melhor resultado desde 2000.
Juros altos puxam o resultado
O principal motor do crescimento foi o IRRF sobre rendimentos do capital, que somou R$ 14,6 bilhões — alta real de 32,56%. O avanço reflete diretamente o nível elevado da Selic: com os juros altos, os rendimentos de renda fixa cresceram, e com eles a base sobre a qual o imposto incide.
Na prática, quanto mais o Banco Central mantém os juros elevados para conter a inflação, mais o governo arrecada sobre os ganhos de quem investe em títulos públicos, fundos de renda fixa e recebe juros sobre capital próprio. A tributação sobre aplicações de renda fixa subiu 55,29% em termos nominais, os juros sobre capital próprio avançaram 61,07% e os fundos de renda fixa, 29,94%.
Outros destaques do mês
A receita previdenciária também contribuiu para o resultado, com R$ 63,4 bilhões e alta real de 5,48%. O desempenho foi sustentado pelo crescimento de 3,89% na massa salarial, pelo avanço de 7,46% na arrecadação do Simples Nacional e pelo aumento de 17,02% nas compensações tributárias.
O IOF registrou expansão expressiva: R$ 8 bilhões, com crescimento real de 49,05%. O salto está ligado a operações de câmbio, crédito e transações com títulos e valores mobiliários, após alterações na legislação do tributo.
PIS/Pasep e Cofins somaram R$ 56 bilhões, com alta real de 4,35%, acompanhando o aumento no volume de vendas do comércio e no setor de serviços no fim de 2025.








