A Casa Branca está desenvolvendo planos para impor tarifas de aproximadamente 20% sobre grande parte dos US$ 3 trilhões em bens importados anualmente pelos Estados Unidos, segundo informações divulgadas pelo Washington Post nesta terça-feira (2). A medida ocorre enquanto o presidente Donald Trump se prepara para anunciar tarifas recíprocas, aumentando as preocupações de empresas, consumidores e investidores sobre uma possível escalada na guerra comercial global.
Trump tem mencionado o dia 2 de abril como o chamado “Dia da Libertação”, data em que pretende avançar com suas iniciativas mais ambiciosas para reformular as regras do comércio internacional. O republicano critica as normas vigentes, argumentando que a redução de barreiras comerciais ao longo das últimas décadas prejudicou a competitividade dos produtos e trabalhadores americanos.
No domingo, Trump disse que as tarifas recíprocas atingirão todas as nações, e a Casa Branca disse na segunda-feira que qualquer país que tenha tratado os americanos de forma injusta deveria esperar receber uma tarifa.
A administração de Trump também está avaliando usar os trilhões de dólares que espera em novas receitas de importação para um dividendo ou reembolso de impostos, disse a reportagem da Reuters, citando três pessoas não identificadas familiarizadas com o assunto.
Com a aproximação do dia 2 de abril, aumentam os sinais de desaceleração na economia dos Estados Unidos, que vinha registrando crescimento acima da média nos últimos anos. A incerteza gerada pela abordagem volátil do presidente Donald Trump na formulação de políticas econômicas, especialmente no comércio exterior, tem sido apontada como um fator de preocupação para empresas e consumidores.
Pesquisas recentes indicam uma queda na confiança de famílias e empresários em relação ao futuro econômico, impulsionada pelo temor de que as tarifas propostas pelo governo possam reacender a inflação. O impacto já se reflete no mercado financeiro: desde meados de fevereiro, investidores vêm liquidando ações de forma agressiva, resultando em uma perda de quase US$ 5 trilhões no valor das empresas listadas nas bolsas americanas.