AST derrete na Nasdaq após explosão da Blue Origin pôr meta de satélites em risco

As ações da AST SpaceMobile (ASTS) caíram forte no pré-mercado desta sexta-feira (29), após uma explosão atingir o foguete New Glenn, da Blue Origin, durante um teste estático na base de lançamento. O episódio levantou novas dúvidas sobre o plano da companhia de colocar 45 satélites em órbita em 2026.

O papel havia fechado a quinta-feira (28) em alta de quase 3%, cotado a US$ 133,09 na Nasdaq. No pré-mercado, porém, recuava 13,6%, para US$ 114,98. A queda interrompeu um momento positivo para a ação, que vinha acumulando valorização expressiva nos últimos 12 meses.

A Blue Origin confirmou uma “anomalia” em publicação no X e informou que todos os funcionários estavam bem. Ainda assim, o acidente marcou o segundo grande contratempo envolvendo o New Glenn em menos de dois meses.

Falha pressiona o plano de satélites da AST

A reação do mercado tem relação direta com a dependência da AST SpaceMobile em relação a lançamentos pesados. A empresa trabalha em uma rede de satélites voltada a conexão direta com celulares, sem necessidade de antenas ou equipamentos extras.

Para avançar nesse plano, a companhia precisa manter um ritmo intenso de lançamentos. A meta de 45 satélites em 2026 exige execução precisa e pouca margem para atrasos.

O problema é que o New Glenn já havia enfrentado outro revés recentemente. Na terceira missão do foguete, uma falha no estágio superior impediu o satélite BlueBird 7, da própria AST, de alcançar a órbita planejada. O satélite foi perdido.

A AST tinha seguro para a missão, o que reduziu o impacto financeiro direto. Mesmo assim, a repetição de problemas reacendeu a preocupação dos investidores com o cronograma operacional.

New Glenn era peça importante para satélites maiores

A quarta missão do New Glenn seria a primeira de 24 lançamentos contratados com a Amazon para o Project Kuiper. O foguete também é visto como importante para a AST porque tem um compartimento de carga de 7 metros, adequado aos satélites maiores da nova geração da empresa, chamados Block 2.

Esses satélites podem ser enviados em grupos por voo, o que ajuda a acelerar a formação da constelação. Por isso, qualquer atraso no New Glenn pode afetar a capacidade da AST de cumprir suas metas dentro do prazo prometido ao mercado.

A Blue Origin havia planejado até 12 lançamentos do New Glenn neste ano. Com a nova falha, esse calendário volta a ser questionado.

Empresa tenta manter discurso otimista

Mesmo com o novo contratempo, a AST SpaceMobile tenta sustentar a confiança no plano. O CEO Abel Avellan afirmou recentemente à CNBC que a empresa está “no caminho certo” para cumprir a meta, com lançamentos previstos “aproximadamente a cada mês”.

A companhia também conta com outros provedores de lançamento. O presidente Scott Wisniewski disse que a empresa tem capacidade contratada suficiente para executar o cronograma, incluindo lançamentos com Blue Origin, SpaceX ou fornecedores equivalentes.

Os satélites BlueBirds 8, 9 e 10 já estão em Cabo Canaveral e aguardam lançamento pelo Falcon 9, da SpaceX, previsto para meados de junho. Eles estão em fase de processamento e integração final.

Ainda assim, o mercado passa a observar se a empresa conseguirá compensar eventuais atrasos da Blue Origin sem comprometer sua expansão.

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