A Aurex quer reduzir as fricções do câmbio empresarial com uma plataforma baseada em inteligência artificial e stablecoins. Ainda operando em stealth mode, a fintech já transacionou mais de R$ 100 milhões em 2025 e projeta alcançar R$ 1 bilhão em operações até 2028.
Fundada há cerca de um ano por Felipe Sabino, Lisandra Branco e Henrique Saavedra, a empresa nasceu para atender empresas que precisam fazer pagamentos e transferências internacionais com mais velocidade, rastreabilidade e comparação de preços entre diferentes provedores.
A proposta é usar IA para automatizar etapas do câmbio B2B, desde a qualificação do cliente até o onboarding, preenchimento de dados, análise cadastral e roteamento das operações para provedores regulados.
Fintech usa IA para reduzir burocracia no câmbio
No modelo tradicional, uma operação de câmbio pode envolver atualização de cadastro, renovação de limite, espera por atendimento bancário e variação de preço até a conclusão da transação.
A Aurex tenta atacar esse problema com uma plataforma AI-first. A tecnologia compara cotações entre parceiros, identifica o provedor mais adequado para cada operação e reduz etapas manuais do processo.
A fintech tem 14 provedores contratados, dos quais cinco já estão ativos, com acesso a mais de 90 países.
“Isso era muito difícil de fazer antes da AI”, afirma Felipe Sabino, CEO da Aurex.
Stablecoins entram na liquidação
Além da inteligência artificial, a Aurex usa stablecoins para liquidar pagamentos e realizar transferências fora do sistema tradicional SWIFT. Stablecoins são ativos digitais normalmente pareados a moedas fiduciárias, como o dólar, e usados para facilitar transações digitais com menor volatilidade do que outras criptomoedas.
Na avaliação de Sabino, a diferença de eficiência é relevante quando comparada ao modelo bancário tradicional.
“Eu já liquidei pagamento em stablecoin e via SWIFT. É incomparável em eficiência, velocidade e rastreabilidade”, afirma.
A estratégia posiciona a Aurex em uma fronteira que combina câmbio, criptoativos, pagamentos internacionais e automação.
Foco está em empresas médias
A fintech atua no mercado B2B, com duas frentes. A primeira é o atendimento direto a empresas. A segunda é o modelo B2B2C, no qual escritórios de investimento, instituições de pagamento e bancos podem plugar o câmbio como serviço da Aurex em suas próprias plataformas.
O cliente ideal, segundo Sabino, são empresas médias, com faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 200 milhões. Nesse perfil, o sócio ou fundador muitas vezes ainda acompanha diretamente as decisões de câmbio.
“É uma fatia relevante do mercado”, afirma o executivo.
A Aurex opera hoje com dois clientes-piloto. Diferentemente de muitas startups em fase inicial, a companhia afirma ter nascido rentável e com fluxo de caixa positivo desde o início.
Regulação é principal gargalo
Apesar da base tecnológica já estruturada, o principal desafio da Aurex está na regulação. Segundo Sabino, grandes clientes demonstram interesse em testar a plataforma, mas exigem que a fintech tenha autorização do Banco Central para ampliar o uso.
A empresa avalia dois caminhos. Um deles é obter licença própria como prestadora de serviços de ativos virtuais, hoje limitada a US$ 100 mil por operação. O outro é buscar uma licença de banco de câmbio, que permitiria operar sem esse teto e também incluir câmbio tradicional.
A preferência da Aurex é chegar ao mercado como banco de câmbio completo.
“O esforço hoje é 50% regulatório, 40% tecnologia e 10% comercial. Se a tecnologia estiver boa, que já está, e o regulatório estiver ok, o volume virá”, afirma Sabino.
Empresa mira expansão internacional
Aurex também planeja expansão para outros mercados da América Latina. No roadmap estão México, Argentina e Chile como prestadores de serviços de ativos virtuais.
A fintech também considera uma estrutura nos Estados Unidos, mercado visto como estratégico por causa da regulação das stablecoins e do volume de capital em circulação.
Para financiar a próxima etapa, a companhia já conversa com investidores. Segundo Sabino, dois fundos estrangeiros e duas instituições financeiras demonstraram interesse. A empresa, porém, busca mais do que capital.
“Sócio só pela grana não é o que buscamos. Sócio que compõe licença, que faça sentido pelo networking, não só com investidores, mas até com reguladores, esse smart money é o que nos interessa”, afirma.









