A Azul (AZUL4) informou ao mercado que seu Conselho de Administração homologou oficialmente a emissão de 6,9 milhões de bônus de subscrição de ações ordinárias pertencentes à série 4 da companhia aérea. Aprovada dentro do limite de capital autorizado, a medida faz parte do processo de reestruturação de balanço e atende aos compromissos da empresa com seus parceiros comerciais e detentores de títulos (bondholders).
Como desdobramento da homologação, os novos ativos, que serão negociados sob o código de negociação AZUL19, farão sua estreia oficial na B3 a partir do pregão desta quinta-feira, 2 de julho de 2026.
O bônus de subscrição é um instrumento financeiro que confere ao seu detentor o direito (mas não a obrigação) de adquirir ações da companhia por um preço predeterminado, injetando capital diretamente no caixa da empresa no momento da conversão.
De acordo com as diretrizes validadas pelo Conselho, os investidores titulares desses novos papéis poderão exercer o seu direito de subscrição até o dia 30 de junho de 2027.
O movimento visa dar continuidade ao plano de fortalecimento da estrutura de capital da Azul, permitindo a diluição controlada de ações em troca da equalização de passivos de arrendamento de aeronaves (leasings) e alongamento do perfil das dívidas de curto prazo.
O processo de reestruturação financeira da Azul tem sido um dos movimentos mais complexos e acompanhados de perto no mercado de aviação civil recente, desenhado especificamente para evitar que a companhia precisasse recorrer a um processo de recuperação judicial (como o Chapter 11 nos Estados Unidos, utilizado por concorrentes como Gol e Latam).
O plano foi estruturado sobre três pilares principais: a equalização de dívidas com arrendadores de aeronaves (lessors), a captação de dinheiro novo e o reperfilamento dos títulos de dívida internacional (bonds).
Para dar fôlego ao caixa operacional e garantir o pagamento de fornecedores essenciais, a Azul estruturou uma complexa operação de captação de recursos no exterior utilizando ativos da própria companhia como garantia colateral. A empresa utilizou a Azul Cargo (seu braço de logística e cargas, que apresenta alta rentabilidade) e o programa de fidelidade TudoAzul como garantias para estruturar novas emissões de dívida sênior no mercado internacional.
Esse movimento permitiu destravar parcelas de financiamento que somam centenas de milhões de dólares, trazendo a liquidez necessária para a operação de curto prazo.
