O cenário financeiro desta quarta-feira (21) apresenta um contraste marcante entre o entusiasmo da renda variável e a crise de solvência em parte do setor bancário. Enquanto o Ibovespa opera em forte alta, impulsionado por gigantes como Vale e Petrobras, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira (Will Bank).
A medida é um desdobramento direto do colapso do Banco Master, ocorrido em novembro de 2025, e foi motivada pela insolvência da instituição e pelo seu vínculo de controle com o grupo liquidado.
A decisão, assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, interrompe as atividades da Will Financeira após o fracasso nas tentativas de venda da instituição, que vinha operando sob um regime temporário de espera. Com a liquidação, os bens dos controladores — incluindo figuras como Daniel Vorcaro — foram bloqueados para garantir o ressarcimento de credores.
No campo prático para os clientes, a bandeira Mastercard já havia suspendido transações com cartões do banco devido à falta de honra nos pagamentos, um sinal claro da deterioração financeira que precedeu o ato oficial.
Para os investidores que possuem CDBs da Will Financeira, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) assume o protagonismo, garantindo depósitos de até R$ 250 mil por CPF. Este processo se soma ao gigantesco desembolso de R$ 40,6 bilhões que o FGC já está realizando para os credores do Banco Master, configurando o maior evento de pagamento de garantia da história do sistema financeiro nacional. Apesar do prejuízo de R$ 244,7 milhões registrado pelo Will Bank no primeiro semestre de 2025, o BC busca, com a liquidação, isolar o problema e preservar a estabilidade sistêmica.
Enquanto o setor bancário médio enfrenta esse expurgo, o índice Ibovespa ignora o pessimismo local e sobe 2,03%, alcançando os 169.657 pontos. O movimento é sustentado pela valorização de blue chips como a Vale (+2,62%), beneficiada pelo setor de mineração, e o Itaú (+2,25%), que se descola da crise dos bancos menores. O mercado acionário parece focado no fluxo estrangeiro recorde e na rotação de ativos globais, mantendo o dólar em queda de 0,95%, cotado a R$ 5,32, mesmo diante das incertezas geradas pela liquidação do Will Bank.
