Banco do Brasil aprova distribuição de 30% do lucro em 2026

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O Banco do Brasil (BBAS3) anunciou, nesta segunda-feira, a aprovação de sua política de remuneração aos acionistas para o exercício de 2026. Em fato relevante enviado ao mercado, a instituição confirmou que o Conselho de Administração estabeleceu um payout (parcela do lucro líquido destinada a proventos) de 30%. A distribuição dos recursos será realizada sob a forma de dividendos e/ou Juros sobre Capital Próprio (JCP), seguindo os critérios de eficiência tributária e financeira da companhia.

O cronograma de pagamentos para o próximo ano foi estruturado para garantir recorrência aos investidores, totalizando oito fluxos de desembolso ao longo do exercício. A sistemática consiste em quatro pagamentos antecipados, realizados durante os respectivos trimestres de referência, e outros quatro pagamentos complementares, que serão efetivados após o fechamento contábil de cada período trimestral.

A manutenção do percentual de distribuição sinaliza a estratégia do banco em equilibrar o retorno aos seus acionistas com a preservação de capital para sustentar o crescimento de suas operações de crédito e investimentos em tecnologia.

Com essa definição antecipada, o mercado ganha maior previsibilidade sobre o fluxo de caixa esperado para o papel BBAS3 no horizonte de 2026, consolidando a posição do banco entre as principais pagadoras de proventos do setor financeiro nacional.

Historicamente, o banco operava com uma distribuição entre 40% e 45%, mas a revisão para baixo reflete a necessidade de preservar capital diante de um cenário de inadimplência crescente, especialmente no setor de agronegócio, e a busca por manter índices de Basileia confortáveis. Enquanto o BB opta por uma retenção maior de lucros, bancos como o Itaú Unibanco e o Bradesco mantêm estratégias que priorizam a previsibilidade e a remuneração recorrente.

O Itaú Unibanco (ITUB4), por exemplo, segue consolidado como o “relógio suíço” dos dividendos. Para 2026, o banco já confirmou a manutenção de pagamentos mensais de Juros sobre Capital Próprio (JCP), no valor bruto de R$ 0,01765 por ação. Embora o Itaú tenha realizado uma antecipação bilionária de R$ 23,4 bilhões em proventos no final de 2025 para otimizar sua carga tributária, a instituição costuma entregar um payout efetivo superior ao mínimo estatutário de 25%, frequentemente complementando a remuneração com dividendos “adicionais” quando há excesso de capital. Essa estratégia confere ao Itaú uma vantagem na percepção de valor por investidores focados em renda passiva.

Já o Bradesco (BBDC4) tem buscado recuperar sua atratividade após períodos de resultados pressionados. O banco aprovou recentemente o pagamento de R$ 3,9 bilhões em JCP complementares para serem quitados até julho de 2026, além de manter seu cronograma de pagamentos mensais. O payout do Bradesco tem orbitado a faixa dos 30% a 40%, patamar similar ao novo alvo do Banco do Brasil, mas com uma estrutura de bonificações e JCP que tenta compensar a volatilidade recente de suas ações. O Santander Brasil (SANB11), por sua vez, mantém uma política de distribuições trimestrais que historicamente superam os 40%, posicionando-se como uma alternativa de yield intermediário entre a solidez do Itaú e a nova fase conservadora do BB.

Em termos de fluxo, o Banco do Brasil inova ao oferecer oito momentos de pagamento (quatro antecipados e quatro complementares), o que garante uma entrada de caixa constante para o acionista. Contudo, analistas de mercado observam que, ao reduzir o percentual do lucro distribuído, o Dividend Yield (retorno em dividendos) do BB pode ser pressionado, deixando de ocupar o topo do ranking do setor para se alinhar à média do mercado. Essa mudança de postura é interpretada como um movimento de “pé no freio” necessário para garantir a sustentabilidade operacional a longo prazo em um ambiente macroeconômico que exige maior disciplina financeira.

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