A Barba de Respeito, marca catarinense de cosméticos masculinos, aposta em uma nova estrutura industrial para reconstruir o negócio após uma crise que quase tirou seus produtos do mercado. A empresa, que chegou a faturar R$ 27 milhões em 2020, enfrentou problemas com fornecedores terceirizados, atrasos de produção e perda de clientes nos anos seguintes.
Agora, a companhia tenta virar a página com uma fábrica própria em Itajaí, em Santa Catarina. A mudança veio após uma fusão com a LPL Química, indústria catarinense com mais de 25 anos de atuação no mercado. O acordo deu à marca controle sobre produção, estoque e qualidade, pontos que haviam se tornado gargalos para o crescimento.
A meta da Barba de Respeito é fechar 2026 com R$ 8 milhões em faturamento. O número ainda fica abaixo do pico registrado no auge da operação, mas é tratado pela empresa como uma base de retomada.
Marca nasceu a partir de produto para crescimento de barba
A Barba de Respeito foi fundada em 2016, em Brusque, também em Santa Catarina. Antes da marca, os sócios atuavam em uma agência de marketing que estava perto de encerrar as atividades.
A oportunidade surgiu a partir de um produto comprado em uma farmácia de manipulação: um composto para crescimento de barba, que depois ganhou o nome de Blend. Em poucas horas, os empreendedores registraram o nome da marca no Instituto Nacional da Propriedade Industrial, o INPI.
O crescimento foi rápido. Em seis meses, a empresa faturou R$ 700 mil. Em 2017, chegou a R$ 7 milhões. Nos anos seguintes, avançou para R$ 13 milhões, R$ 20 milhões e, em 2020, atingiu R$ 27 milhões em receita.
A expansão foi impulsionada por dois movimentos. De um lado, o cuidado com a barba passou a ganhar espaço no consumo masculino. De outro, anúncios pagos em redes sociais se tornaram uma ferramenta eficiente para marcas pequenas crescerem no ambiente digital.
Como os fundadores já tinham experiência com marketing e tráfego pago, conseguiram transformar o produto em uma marca com forte presença online.
Crise começou com falha no fornecimento
O ponto de virada negativo ocorreu em 2020. Até então, a Barba de Respeito havia produzido primeiro em farmácia de manipulação e, depois, com um parceiro fabril em Minas Gerais.
Com a expansão simultânea em redes, farmácias e barbearias, a empresa fez um pedido grande para sustentar as vendas e reduzir a pressão sobre o estoque. A mercadoria, porém, não chegou como previsto.
Segundo a companhia, o prejuízo direto da compra ficou em torno de R$ 4 milhões. O impacto, no entanto, foi maior do que a perda financeira. Sem produto para atender a demanda, a marca atrasou pedidos, buscou uma nova fábrica às pressas e viu clientes migrarem para concorrentes.
O lote seguinte também apresentou problemas de envase e precisou ser recolhido. Ao longo do processo, mais de 1.200 clientes foram perdidos.
A pandemia agravou o cenário. Com barbearias fechadas e representantes parados, a operação perdeu força justamente em um período em que ainda tentava resolver os gargalos de produção.
Fusão com LPL Química muda operação
A retomada ganhou forma no início de 2026. Em fevereiro, durante um encontro de empresários em São Paulo, o sócio Michel Pereira conheceu Luís Silva, sócio da LPL Química. A indústria tinha uma planta parada em Itajaí, e a conversa evoluiu para uma fusão.
Com o acordo, a Barba de Respeito passou a contar com fábrica própria, capital de giro e maior controle sobre a cadeia de produção. A empresa deixou de depender integralmente de terceiros e passou a operar também como indústria.
A mudança permite padronizar fórmulas, controlar a matéria-prima, acompanhar o processo de fabricação e responder mais rapidamente a pedidos. Segundo a empresa, a operação atual consegue dar retorno em até 12 horas a pedidos que entram no sistema.
A margem também tende a mudar. Ao incorporar a etapa industrial, a marca reduz a dependência do lucro de fabricantes terceirizados e passa a ter mais flexibilidade para posicionar os produtos no mercado.
Barbearias viram foco da reconstrução
Na retomada, a Barba de Respeito quer concentrar esforços nas barbearias. A empresa vê esses estabelecimentos como pontos importantes de decisão de compra, já que o consumidor costuma receber indicação direta do barbeiro.
A estratégia não será apenas vender produtos, mas também oferecer treinamento aos profissionais. A ideia é mostrar como a revenda de cosméticos pode gerar receita adicional dentro da própria barbearia.
Para marcar essa nova fase, a empresa realizou um evento em Santa Catarina com cerca de 450 a 500 pessoas e participação estimada de 150 a 170 barbearias. A ação serviu para reaproximar a marca de antigos parceiros e abrir novas frentes comerciais.
A companhia também pretende retomar conversas com grandes redes que já haviam comprado seus produtos antes da crise, como Havan, Droga Raia, Drogaria São Paulo e Drogaria São João.






