A BBC anunciou, nesta quarta-feira (25), a nomeação de Matt Brittin como seu novo diretor-geral. Brittin, um veterano do setor de tecnologia que ocupou cargos de alta liderança no Google, assume o posto com a missão de conduzir o que a presidência da rede britânica classifica como uma “reforma radical”. Ele substitui Tim Davie, que renunciou ao cargo no ano passado após uma crise institucional gerada pela edição controversa de um discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para o conselho da emissora, a experiência de Brittin é vista como essencial para garantir o futuro da radiodifusão pública em um cenário de rápidas transformações digitais.
A chegada do novo diretor ocorre em um dos momentos mais delicados da história da corporação. A BBC enfrenta atualmente um processo judicial de US$ 10 bilhões movido por Donald Trump, que acusa a emissora de difamação pela forma como editou trechos de sua fala em 6 de janeiro de 2021.
Embora a rede argumente que a reeleição de Trump comprova que sua reputação não foi prejudicada, o litígio representa uma pressão financeira e política sem precedentes. Além disso, a emissora luta para manter sua relevância diante da migração massiva do público, especialmente dos mais jovens, para plataformas de streaming e redes sociais.
Matt Brittin, de 57 anos, traz consigo um currículo moldado pela ascensão das gigantes de tecnologia. Ele ingressou no Google em 2007 e subiu na hierarquia até se tornar presidente da empresa para a região da Europa, Oriente Médio e África (EMEA) em 2014.
Sua nomeação para o cargo de diretor-geral da BBC, que acumula as funções de diretor-executivo e editor-chefe, reflete a intenção da emissora de se tornar mais ágil e conectada com as demandas do público moderno. Brittin, que assume formalmente em 18 de maio, terá sob sua responsabilidade a liderança criativa, editorial e operacional da instituição.
O mandato de Brittin será marcado por desafios que vão além da inovação tecnológica. Ele precisará navegar pelo intenso escrutínio político sobre a imparcialidade da BBC e negociar, até o final de 2027, o novo acordo de financiamento da emissora. Com o vencimento da atual Carta Régia, o futuro da taxa de licenciamento — principal fonte de receita da rede — está em aberto, com debates que incluem desde a manutenção do modelo atual até a migração para sistemas de assinatura ou financiamento via publicidade.
