O Brasil tem três nomes entre os maiores bilionários da América Latina em 2026. Jorge Paulo Lemann, Eduardo Saverin e Marcel Telles aparecem entre as maiores fortunas da região, segundo levantamento da Bloomberg Línea com base no Bloomberg Billionaires Index.
A lista latino-americana é liderada por empresários do México, Brasil, Colômbia e Chile. Os patrimônios estão concentrados em setores como telecomunicações, mineração, bancos, tecnologia, bebidas e consumo.
O ranking também reforça a força de conglomerados familiares e grupos empresariais tradicionais da região, que mantêm posições relevantes em negócios globais e mercados de capitais.
Carlos Slim lidera ranking regional
O mexicano Carlos Slim segue como a pessoa mais rica da América Latina e do Caribe. Dono de participações em empresas como América Móvil, Grupo Carso e Grupo Financiero Inbursa, o empresário aparece na 16ª posição do ranking global da Bloomberg.
A fortuna estimada de Slim é de US$ 128 bilhões, com ganho de US$ 17,1 bilhões no ano.
Na segunda posição regional está Germán Larrea, também mexicano, com patrimônio estimado em US$ 75,1 bilhões. A maior parte da fortuna vem da participação da família no Grupo México, conglomerado de mineração com operações no México, Estados Unidos, Peru e Espanha.
A chilena Iris Fontbona e sua família aparecem em seguida, com fortuna estimada em US$ 56,2 bilhões. O patrimônio está ligado ao Grupo Luksic, que atua nos setores financeiro, bebidas, energia, transporte, manufatura e serviços portuários.
Brasileiros seguem entre maiores fortunas
Entre os brasileiros, Jorge Paulo Lemann aparece como o nome mais bem posicionado. Cofundador da 3G Capital e da AB InBev, ele tem patrimônio estimado em US$ 31,2 bilhões.
A maior parte da fortuna de Lemann vem de sua participação na Anheuser-Busch InBev, maior cervejaria do mundo. O empresário divide o controle da companhia com Marcel Telles e Carlos Sicupira.
Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, atual Meta, também aparece entre os maiores bilionários da região. Seu patrimônio é estimado em US$ 30,7 bilhões.
Saverin detém participação na Meta e também é cofundador da B Capital Group, empresa de capital de risco criada em 2015.
Marcel Telles, outro cofundador da 3G Capital e um dos nomes por trás da criação da Ambev, aparece com fortuna estimada em US$ 13,5 bilhões.
Tecnologia, bancos e mineração puxam fortunas
Segundo a Bloomberg Línea, as maiores fortunas latino-americanas foram impulsionadas pela valorização de ativos em setores como bancos, mineração, telecomunicações, alimentos e tecnologia.
A analista Paula Chaves, da Greyhound Trading, afirma que a evolução dos patrimônios está ligada ao desempenho de ativos estratégicos na região.
“A evolução das grandes fortunas latino-americanas ao longo de 2026 deve-se principalmente à valorização de ativos estratégicos em setores como o bancário, de mineração, de telecomunicações, de alimentos e de tecnologia”, afirma.
A demanda por cobre, prata e outros recursos ligados à infraestrutura, transição energética e inteligência artificial favoreceu empresários do setor de mineração.
Já telecomunicações e tecnologia continuam sustentadas pelo avanço da conectividade, serviços digitais e plataformas globais.
América Latina ganha força entre emergentes
O levantamento também aponta um cenário favorável para mercados emergentes, especialmente economias ligadas a matérias-primas, recursos estratégicos e serviços financeiros.
De acordo com Chaves, o bom desempenho de ativos emergentes e a demanda global por recursos estratégicos ajudaram a sustentar parte das grandes fortunas da região.
“Hoje, muitas das grandes fortunas latino-americanas estão mais correlacionadas com o comportamento dos mercados globais e o macrociclo dos mercados emergentes do que com eventos geopolíticos isolados”, afirma.
O cenário global ainda é marcado por volatilidade e tensões geopolíticas, mas, até agora, esses fatores não foram suficientes para alterar a tendência principal dos mercados financeiros, segundo a analista.
