Brasil quer liderar bioeconomia, mas biodiversidade ainda é prioridade para poucas empresas

(Leandro Fonseca /Exame)

A pauta da biodiversidade nas empresas ainda ocupa espaço reduzido no setor corporativo brasileiro. Segundo estudo citado pela Exame, apenas 8% das empresas no Brasil consideram a biodiversidade uma prioridade estratégica, mesmo em um país que abriga cerca de 15% da biodiversidade mundial.

O cenário chama atenção em um momento em que o Brasil tenta se posicionar como líder global da bioeconomia e das soluções sustentáveis ligadas à natureza. Especialistas afirmam que biodiversidade, clima e desenvolvimento econômico passaram a estar diretamente conectados nas discussões internacionais sobre ESG e transição verde.

Natureza entra no centro da economia

O debate sobre biodiversidade nas empresas ganhou força nos últimos anos com o avanço das discussões climáticas e da pressão internacional por sustentabilidade. Atualmente, investidores e reguladores passaram a cobrar mais transparência sobre impactos ambientais, riscos ligados à natureza e preservação de ecossistemas.

Segundo especialistas do CEBDS, não é mais possível tratar apenas carbono e emissões como métricas centrais da agenda ESG.

A diretora de Natureza e Sociedade do CEBDS, Juliana Lopes, afirmou à Exame que “clima e natureza são dois lados da mesma moeda”.

Empresas ainda focam mais em carbono

Apesar do avanço da agenda ambiental, muitas empresas ainda concentram estratégias ESG em descarbonização e redução de emissões. A biodiversidade segue atrás de temas como inovação, governança, tecnologia e gestão de resíduos.

Especialistas explicam que os impactos sobre biodiversidade costumam ser mais difíceis de medir porque variam de acordo com território, bioma e atividade econômica. Diferentemente do carbono, que possui métricas globais mais padronizadas, a biodiversidade depende de fatores locais e múltiplas variáveis ambientais.

Bioeconomia pode movimentar novos mercados

O crescimento da bioeconomia aparece como uma das principais apostas para integrar preservação ambiental e desenvolvimento econômico. Soluções baseadas na natureza podem responder por até 30% das reduções de emissões necessárias até 2050, segundo estimativas citadas pela reportagem.

Mercados ligados à restauração florestal, agricultura regenerativa, créditos de carbono, bioinsumos e cadeias da sociobiodiversidade devem ganhar espaço nos próximos anos.

O governo brasileiro também lançou recentemente o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), com previsão de R$ 350 milhões em investimentos.

Pressão internacional aumenta

O avanço das regulações internacionais vem acelerando o debate sobre biodiversidade nas empresas. Na Europa, novas regras passaram a exigir divulgação de riscos ligados não apenas ao clima, mas também à natureza e aos ecossistemas.

No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também adotou normas internacionais alinhadas ao IFRS e ao ISSB para reporte de sustentabilidade.

Especialistas avaliam que empresas brasileiras tendem a enfrentar pressão crescente de investidores, consumidores e parceiros internacionais por práticas ambientais mais amplas.

Debate ambiental ganha força global

O tema biodiversidade também vem gerando discussões em comunidades online e fóruns ambientais. Usuários em debates recentes no Reddit demonstraram preocupação com os impactos econômicos da degradação ambiental e com a dificuldade de integrar preservação da natureza ao atual modelo econômico.

Especialistas afirmam que biodiversidade deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a ocupar papel estratégico em competitividade, financiamento e estabilidade econômica.

O avanço da bioeconomia mostra que preservar ecossistemas pode gerar inovação, novos negócios e oportunidades de desenvolvimento sustentável para o Brasil.

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