BlackRock vê Brasil bem posicionado, mas cobra redução do risco-país

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O Brasil reúne condições favoráveis para atrair capital internacional, mas ainda precisa reduzir o risco-país e dar mais clareza ao cenário fiscal para destravar investimentos de longo prazo, segundo executivos da BlackRock.

Durante o Summit Brazil-EUA, em Nova York, Pablo Goldberg, chefe de pesquisa e portfólio da gestora, afirmou que o país está em uma posição “fantástica” por combinar altos rendimentos, recursos naturais e relativa estabilidade regional. O ponto de atenção, porém, segue sendo o custo do financiamento.

Segundo Goldberg, o problema fiscal se conecta diretamente à taxa de juro real elevada. Na avaliação dele, enquanto o investimento em CDI seguir muito atrativo, o capital tende a ficar mais concentrado em aplicações conservadoras, em vez de financiar projetos produtivos de longo prazo.

Pix e energia colocam Brasil em vantagem

O CEO global da BlackRock, Larry Fink, também destacou vantagens competitivas do Brasil em digitalização financeira e infraestrutura. Em evento promovido pela Amcham e pela própria gestora, o executivo elogiou o avanço do Pix e afirmou que gostaria de ver um sistema semelhante nos Estados Unidos.

“Tenho inveja do que o Banco Central do Brasil fez ao criar o Pix”, disse Fink.

Na avaliação do executivo, o Brasil tem uma população com forte adaptação a pagamentos digitais, algo que pode acelerar a tokenização de ativos, o avanço do mercado de capitais e a inclusão financeira.

Fink também citou a abundância de energia como um ativo importante para a economia brasileira nos próximos anos. Com a expansão da inteligência artificial e dos data centers, países com energia competitiva e recursos naturais tendem a ganhar relevância na disputa por investimentos globais.

Juros altos ainda limitam investimento de longo prazo

Apesar do cenário favorável, a BlackRock vê entraves importantes. Goldberg afirmou que a volatilidade macroeconômica vai contra o interesse de investidores de longo prazo, justamente o tipo de capital necessário para financiar infraestrutura e crescimento sustentável.

O executivo também disse que o mercado tem ficado mais confortável com o ciclo eleitoral brasileiro, embora espere alguma volatilidade à medida que a disputa avance.

Para a gestora, o Brasil já tem pontos fortes no setor externo, como dívida externa baixa e reservas elevadas. A dificuldade maior está no ambiente doméstico, onde juros reais altos, incerteza fiscal e custo de capital ainda pesam sobre decisões de investimento.

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