O governo federal avança nas negociações para viabilizar uma linha de crédito de até R$ 7 bilhões destinada às distribuidoras de energia elétrica das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
A medida, articulada via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), busca socorrer especificamente as concessionárias que registraram os maiores reajustes tarifários neste ano. O movimento ocorre em um contexto estratégico, visando atenuar o impacto dos aumentos nas contas de luz em pleno ano eleitoral, conforme informações antecipadas pela Folha de S.Paulo e confirmadas pelo Estadão/Broadcast.
A urgência da intervenção é evidenciada por reajustes recentes que pressionam o orçamento das famílias e do setor produtivo. No início deste mês, a Enel Rio de Janeiro aplicou uma alta média de 15,46% em suas tarifas, índice que chegou a 19,94% para consumidores de alta tensão, como as grandes indústrias. Com o novo aporte de crédito, o Executivo espera diluir esses percentuais e evitar novos saltos expressivos nas regiões contempladas, onde o cenário de preços tem se mostrado mais desafiador no curto prazo.
Enquanto Sul, Sudeste e Centro-Oeste aguardam o socorro via BNDES, as regiões Norte e Nordeste contam com um mecanismo distinto para garantir a modicidade tarifária. A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já aprovou a distribuição de R$ 7,87 bilhões para essas localidades, provenientes da repactuação de parcelas do Uso do Bem Público (UBP).
Esse recurso é fruto de pagamentos feitos por geradoras hidrelétricas pelo uso de áreas públicas e foi direcionado especificamente para as áreas de atuação da Sudam e Sudene após a sanção da Lei nº 15.235/2025, em outubro passado.
A estratégia governamental tenta responder a uma escalada histórica nos custos de energia no Brasil. De acordo com levantamento do Estadão, a tarifa média saltou de R$ 112 por megawatt-hora (MWh) em 2010 para R$ 310 em 2024, representando uma alta de 177%. No mesmo período, a inflação acumulada foi de 122%, o que resulta em um aumento real de 45% acima do índice geral de preços.
Vale destacar que esses valores refletem apenas o preço da energia e as bandeiras tarifárias, sem contabilizar encargos, custos de distribuição e transmissão, que elevam ainda mais o peso final para o consumidor brasileiro.









